Crédito fácil: anúncios escondem golpes

Golpes do anúncio de jornal contra consumidores estão se proliferando. As quadrilhas estão se especializando em utilizar anúncios de jornal para atrair suas vítimas. Crédito pessoal, automóveis, consórcios entre outras mercadorias são oferecidas como ofertas tentadoras. O consumidor, muitas vezes, não resiste à promoção e acaba como vítima dos golpistas.Os golpistas anunciam, nos principais jornais, empréstimos sem burocracia e juros baixos, carros com preços abaixo do mercado, cotas de consórcio premiadas e empregos de altos salários. Espertos e rápidos, os golpistas exigem sempre um adiantamento e somem ser dar sinais da mercadoria ou empréstimo prometido.Este tipo de golpe é considerado estelionato, segundo o delegado Manoel Camassa do Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimoniais de São Paulo (Depatri). Ele diz que os golpistas estão cada vez mais audaciosos e contam com uma grande arma a seu favor: o avanço da tecnologia, como aparelhos eletrônicos. O delegado diz que os golpes do carro zero quilômetro e do empréstimo pessoal são os mais constantes. Camassa é especialistas em golpes, já tendo defendido uma tese sobre a tecnologia a serviço da criminalidade. "Todos os dias surgem novos golpes e cada vez mais sofisticados", avisa.Nunca deixe recados em secretárias eletrônicasCamassa explica que o golpe começa com um anúncio sedutor nos jornais de grande circulação. Normalmente, a quadrilha coloca no anúncio um número de telefone fixo e outro número de telefone celular. A principal característica do golpe e que na hora em que o consumidor tenta ligar, a ligação é atendida por uma caixa postal ou secretária eletrônica. "Os golpistas nunca atendem na primeira vez. Eles só entram em contato depois do recado", alerta o delegado.Ao retornar a ligação, os golpistas simulam uma negociação, com direito a aprovação de crédito e exigência da documentação completa. "Os golpistas são verdadeiros artistas que contam com aparelhos eletrônicos de última geração ao seu dispor", comenta Camassa. O delegado diz que eles pedem para o consumidor preencher uma ficha cadastral por fax ou e-mail, nunca pessoalmente. "Toda a transação é feita via correspondência, fax ou e-mail, nunca se verá a cara do golpista", explica. Depois da aprovação da ficha eles pedem que um adiantamento seja depositado na conta bancária de um dos elementos da quadrilha e depois fogem, deixando a vítima com as mãos abanando.O delegado diz que o consumidor nunca deve fechar uma negociação e nem depositar dinheiro para empresa que não for de sua confiança. Ele diz o que o ideal é pedir para o anunciante para conhecer a empresa pessoalmente, exigir nota fiscal com endereço, telefone e CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o antigo CGC). "Ninguém deve assinar nenhum papel nem efetuar nenhum pagamento por correspondência. Só se deve pagar depois que a mercadoria estiver em mãos e com a documentação em dia." aconselha Camassa.Pena é leve para estelionatoO que facilita a vida do estelionatário é que pena para este crime é leve, segundo o delegado. "Normalmente, eles não são presos em flagrante, por isso acabam respondendo pelo crime em regime semi-aberto. Ou seja, estão livres para dar continuidade a outros golpes e planos", explica Camassa. A pena para o crime de estelionato e formação de quadrilha é de 1 a 5 anos.

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