Crédito fácil é motor das vendas de automóveis

O crédito fácil, com a oferta de prazos longos de pagamento, valor de entrada reduzido e menor rigor na liberação do financiamento é hoje o motor do comércio de automóveis no País. O crediário já é responsável por 75% das vendas, mesmo com os juros na casa dos 25% a 28% ao ano. Nos Estados Unidos, onde a taxa anual não chega a 8%, praticamente não se fecha negócio à vista. A maior parte dos financiamentos no Brasil está concentrada nos chamados carros populares. O aumento da concorrência entre bancos e financeiras ampliou a oferta de crediário para uma faixa da população que antes não tinha acesso ao carro novo. Hoje, com entrada de R$ 1 mil e parcelas mensais de R$ 400 o consumidor sai da loja de automóvel zero, sonho de consumo de muitos brasileiros. Bancos ligados às montadoras, bancos comerciais e financeiras independentes têm hoje uma gama de oferta de crédito que passa por prazos de até 50 meses - iguais aos praticados nos EUA -, entrada facilitada e juro de acordo com o perfil do tomador. Ao contrário de setores como eletroeletrônicos e móveis, que também são sustentados pela venda financiada, o veículo pode ser retomado após três meses de atraso no pagamento. Além disso, a multa no atraso é de 2%, em média, mais comissão de permanência. Do total de veículos financiados pelos bancosVolkswagen, Fiat e Itaú, 70% são de versões populares (com motor 1.0). Essa participação vem crescendo, diz o diretor do Itaú Crédito, Marco Bonomi. Em 1999, representava menos de 60% dos negócios. No ano passado a carteira de clientes do Itaú cresceu 70% na comparação com 2000. Maurício Greco, gerente de Marketing e Produtos do Banco Ford (que em janeiro transferiu sua carteira de clientes para o Bradesco e o Unibanco) diz que as facilidades no crediário estão possibilitando aos consumidores de menor poder aquisitivo adiantar degraus na escala de compra. "Normalmente o consumidor médio troca o carro por outro dois anos mais novo, mas agora ele parte de um mais velho diretamente para o zero." Segundo Greco, 35% dos modelos populares Ka e Fiesta vendidos pela marca em 2001 foram financiados pelo banco. No caso de veículos com motor mais potente, como Escort e Focus, só 19,8% e 20,2% respectivamente tiveram o pagamento parcelado. Juntando os veículos de todas as categorias, só 25% do que foi vendido no País no ano passado foi pago à vista, de acordo com a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). Em 1996, mais de 40% dos carros eram quitados no ato da compra. A Losango registrou em 2001 aumento de 85% na carteira de veículos com a abertura de filiais em várias cidades. O diretor-executivo Henrique Fraya confirma que o popular concentra a maior demanda pelo crédito. Segundo ele, a liberação do financiamento hoje é menos burocrática.

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