Crédito: falta garantia e inadimplência é alta

O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, afirmou ontem que o mercado de crédito brasileiro é "atrofiado" e que o devedor brasileiro tem "uma falsa proteção". Ele fez este comentário ao afirmar que cerca de 90% das operações de crédito no País não têm garantias e que, por isso, os banqueiros assumem muito risco. Ele disse que isso é uma questão de legislação e também cultural e acrescentou que o ideal seria ter 10% do mercado de crédito brasileiro sem garantias e 90% com garantias.A ausência de garantias provoca um aumento do custo dos empréstimos, porque as instituições financeiras enfrentam maior risco. Se houvesse garantias, diante do risco menor, as instituições poderiam cobrar juros menores. É neste sentido que o devedor tem a falsa proteção. Ou seja: se sente mais confortável de não ter que oferecer garantias, mas paga muito mais por isso. Além disso, se houvesse mais garantias, com menor taxa de juros, o mercado de crédito teria maior tamanho no Brasil, com mais bancos interessados em emprestar e mais pessoas dispostas ao endividamento.InadimplênciaOutro fator que encarece o custo dos empréstimos no Brasil é a alta taxa de inadimplência, além da carga tributária e as alíquotas de depósitos compulsório. Dados da Federação Brasileira da Associação de Bancos (Febraban) mostram que a cobrança judicial de um protesto demora, em média, cinco anos, além do seu elevado custo. Por esse motivo, muitas instituições não processam clientes, limitando-se a incluí-los no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), na lista de devedores em atraso.O elevado número de pessoas que entram na Justiça contestando as taxas de juros encarece ainda mais o crédito. No ano passado, pesquisa da Febraban demostrou que havia 7 milhões de processos de devedores de bancos questionando o pagamento na Justiça. A estimativa é de que o custo desses processos para as instituições financeiras eleve em 2,5 pontos porcentuais a taxa de juros. Isso quer dizer que, se a cobrança judicial fosse ágil e mais barata, um banco que cobra juros de 8,5% ao mês, poderia reduzi-los para 6% ao mês.

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