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Crédito faz lucro da Caixa crescer 38%, mas inadimplência também avança

Balanço. No 3º trimestre, banco registrou um aumento de 42% na sua carteira de empréstimos, acompanhado de um crescimento de 21,4% nas despesas com provisões para devedores duvidosos e calotes; lucro da instituição somou R$ 1,865 bilhão no período

JOSETTE GOULART , CYNTHIA DECLOEDT / SÃO PAULO, MURILO RODRIGUES ALVES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2013 | 02h11

A locomotiva do crédito na Caixa Econômica Federal continua em um ritmo forte, com crescimento de 42% em 12 meses, segundo balanço trimestral divulgado ontem. A concessão de crédito tem feito o lucro do banco crescer, mas também começa a afetar os índices de inadimplência da instituição.

Aos poucos, o banco está desacelerando a concessão de crédito. Segundo o vice-presidente de Finanças da instituição, Márcio Percival, o ano de 2013 deve fechar com crescimento entre 36% e 37%. Para o ano que vem o nível deverá ser ainda menor, o que deve ajudar a acomodar o capital do banco.

"Contamos com nossos recursos em nosso planejamento para 2014 e não há nenhuma capitalização prevista pelo Tesouro", afirmou. O governo federal tem sinalizado uma redução do crédito e o ministro da Fazenda Guido Mantega já havia dito que não haveria novos aportes de capital.

"Ainda não estabelecemos as metas para 2014, mas à medida que nossa carteira aumenta, a taxa de crescimento tende a diminuir", disse. Percival foi enfático ao afirmar que a Caixa deve dar foco nos empréstimos para infraestrutura, pequenas e médias empresas e habitação. Ele disse que esses três segmentos responderam por 65% das novas contratações no acumulado de janeiro a setembro de 2013.

A forte expansão do crédito na Caixa fez o banco alcançar uma carteira de R$ 463,3 bilhões em setembro e ajudou no crescimento do lucro em 38% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 1,865 bilhão. Em nove meses, o lucro atingiu R$ 5 bilhões, 20% a mais do que em 2012.

Inadimplência. Mas a instituição já começa a sentir o peso de uma inadimplência maior. As despesas com provisões para devedores duvidosos e calote cresceram 21,4%, para R$ 22,8 bilhões. Mesmo em relação ao segundo trimestre deste ano, houve aumento de 5,2%. Essas despesas maiores são reflexo direto do aumento da inadimplência. Mas Percival diz que o aumento do índice de 2,06%, em setembro de 2012, para 2,40% em 2013, não incomoda. Ele alega que é resultado de uma mudança no mix da carteira.

Enquanto os outros grandes bancos brasileiros estão crescendo em linhas mais conservadoras, como crédito imobiliário, a Caixa está emprestando mais em operações de risco mais elevado.

No fim do terceiro trimestre de 2012, o crédito habitacional respondia por 57,6% da carteira da Caixa, enquanto o crédito comercial representava 34,9%. Em setembro, o imobiliário ficou com 54,9% do total e as operações comerciais atingiram 36,7%. Percival atribui essa mudança justamente à concorrência acirrada dos bancos privados e também do estatal Banco do Brasil.

A inadimplência total da Caixa subiu também em decorrência da expansão no porcentual de calotes das empresas, que fechou setembro deste ano em 1,99%, contra 1,68% de setembro de 2012. Segundo Percival, é consequência da priorização dos empréstimos a micro e pequenos empresários, no lugar de concessões a grandes empresas, orientação dada pelo ministro Mantega. O crédito às pequenas e médias deve apresentar crescimento de 67% no ano.

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