Crédito fica mais caro para o consumidor

O consumidor que compra a prazo já começa a pagar a conta do aumento da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia. Em função dessa elevação, observa-se alta nos contratos de juros negociados no mercados e uma nova percepção de que a tendência agora é de elevação.Duas gigantes do varejo, a Casas Bahia, a maior revenda de eletrodomésticos, e a Losango, a empresa do Lloyds Bank que financia as vendas a prazo de cerca de 12 mil lojas, deram sinais de que os financiamentos ao consumidor estão mais caros. Depois de um ano e meio com juros de 3% ao mês no crediário, a Casas Bahia elevou a taxa nesta semana para 3,9% nos planos mais longos, em dez vezes. A diretoria da Losango tem reunião marcada para a próxima segunda-feira, na qual será decidida uma alta nos juros para financiamento de lojas. Os encargos atuais cobrados pela Losango são de 6,3% ao mês. "Muito provavelmente vamos elevar os juros a partir da semana que vem", avisa o diretor-executivo da Losango, Leonel Andrade. Um dos motivos foi a alta do custo de captação do dinheiro no mercado, que passou de 14% para 18% e atingiu 20% ao ano. Outro motivo foi o aumento de 10% na inadimplência do crédito concedido às lojas nos dois últimos meses em relação a igual período de 2000. O diretor administrativo-financeiro da Casas Bahia, Michael Klein, diz que a inadimplência da sua empresa não está crescendo e que, no mês passado, recebeu mais de 100% dos créditos previstos. O que levou Klein a elevar os juros nos prazos mais longos foi o custo mais alto de captação do dinheiro. Já no prazo mais curto, para contratos de até cinco prestações, a Casas Bahia reduziu os juros de 3% para 2,5% ao mês. O diretor Comercial do Magazine Luiza, Eldo Moreno, diz que por enquanto as taxas de juros estão mantidas, mas a empresa acompanha a evolução do mercado. Os juros, que variam de 3,99% a 5,5% ao mês, foram ajustados a última vez em fevereiro. Nessa época, a estratégia seguida foi a usada agora pela Bahia: aumentar os juros do longo prazo e reduzir os do curto prazo. "Já elevamos a taxa há um mês e pouco por causa da alta da inadimplência", diz o diretor da Lojas Cem, Natale Dalla Vecchia. Por conta disso, ele diz que não há necessidade de reajustar novamente os juros. As taxas cobradas pela empresa variam de 1% a 1,5% nos prazos mais curtos a 4,8% ao mês nos planos de até 15 mensalidades. O Ponto Frio informa que os juros estão mantidos. Para os planos de dez pagamentos, os encargos são de 6,8% ao mês.

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