Crédito fraco e inadimplência alta devem afetar balanço dos bancos

Para analistas do setor, lucro do Itaú e do Santander terá queda no trimestre; Bradesco deve ter aumento modesto

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h08

Provisões para calotes em alta, retornos em declínio e crescimento modesto do crédito devem marcar os balanços dos grandes bancos privados no segundo trimestre, na avaliação dos analistas consultados pela Agência Estado. As taxas de inadimplência devem crescer, mas em menor ritmo que nos trimestres anteriores. Na avaliação de especialistas, a tendência é que se estabilizem.

Por conta do crédito fraco e de aumento das provisões, os analistas esperam queda dos lucros para Itaú e Santander e alta modesta para o Bradesco. A concessão de empréstimos pelos bancos privados ainda deve continuar crescendo em ritmo lento no segundo trimestre, na casa dos 2,5% a 3%, abaixo da média dos 4% dos trimestres de 2011. Os destaques devem ser o financiamento habitacional, para pequena empresa e o consignado. Para a carteira de veículos, espera-se queda das operações.

Lucro. O Bradesco será o primeiro grande banco a apresentar resultados, na segunda-feira, antes da abertura do mercado. Os analistas apostam que a instituição deve apresentar os melhores números, quando comparados aos seus dois maiores concorrentes privados, Itaú e Santander. O lucro líquido deve ficar em R$ 2,93 bilhões, segundo média das estimativas de sete casas consultadas pela Agência Estado (Barclays, Bank of America Merrill Lynch, Credit Suisse, Deutsche Bank, J.Safra, Itaú BBA e Votorantim Corretora). Isso representa alta de 5% ante o ganho líquido do mesmo período de 2011, que ficou em R$ 2,785 bilhões.

Na avaliação dos analistas Jorg Friedemann, Thiago Mendes e José Barria, da Bank of America Merrill Lynch, maiores ganhos com operações de seguro devem compensar em parte o resultado mais fraco com crédito. A inadimplência deve apresentar alta menor que seus concorrentes (na casa dos 10 pontos base) e o Bradesco deve fechar o trimestre com indicador de 4,2%, considerando os atrasos acima de 90 dias. O retorno patrimonial deve ficar em 19,8%, o maior entre as grandes instituições financeiras privadas.

Para o Itaú, que revela seus números no dia 24, a previsão é de lucro de R$ 3,51 bilhões, de acordo com média das estimativas de cinco casas consultadas (Barclays, Bank of America Merrill Lynch, Credit Suisse, Deutsche Bank e Votorantim Corretora). A previsão representa queda de 2,6% ante o resultado do segundo trimestre de 2011 (R$ 3,6 bilhões).

Em baixa. A carteira de crédito do Itaú deve ter o desempenho mais fraco entre seus competidores. Deve crescer 2,9% ante o primeiro trimestre, mas o segmento de veículos deve ter retração, destacam os analistas do Credit Suisse, Marcelo Telles, Daniel Sasson e Victor Schabbel. Eles preveem queda no retorno patrimonial anualizado de 19% para 18%. A taxa de inadimplência deve crescer entre 10 a 20 pontos base.

O Santander, que divulga seu balanço dia 26, deve ter lucro de R$ 1,45 bilhão, considerando o resultado no padrão contábil brasileiro (BR Gaap), segundo média das projeções de seis casas consultadas (Barclays, Bank of America Merrill Lynch, Credit Suisse, Deutsche Bank, Itaú BBA e Votorantim Corretora). Se confirmada, a estimativa indica queda de 6,4% no lucro ante o mesmo período de 2011 (R$ 1,549 bilhão).

O Santander deve ter forte aumento das provisões, na casa dos 20%, por conta da piora de calotes no crédito a empresas, projetam os analistas. A taxa de inadimplência também deve subir mais que a de seus concorrentes. Os analistas estimam aumento de 40 a 50 pontos base.

Já no crédito, o banco Santander deve ter uma taxa de expansão média entre 3% e 3,5%, de acordo com as estimativas. O banco deve fechar o período com retorno sobre o patrimônio de 11%, indicador que foi considerado baixo pelos analistas do setor.

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