Tiago Queiroz/Estadão - 16/11/2020
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Crédito imobiliário cresce 57,5% em 2020 e atinge recorde de R$ 123,9 bi

Depois de cair no início da pandemia, a demanda por financiamentos teve forte recuperação a partir de junho, impulsionada pelas taxas baixas de juros

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2021 | 11h21
Atualizado 27 de janeiro de 2021 | 12h09

Os financiamentos para a compra e a construção de imóveis em 2020 somaram R$ 123,97 bilhões em 2020, crescimento de 57,5% na comparação com 2019. O resultado foi o maior da história, superando o montante de R$ 112,9 bilhões visto em 2014, último ano do ciclo de "boom" imobiliário.

No mês de dezembro, os empréstimos foram de R$ 17,47 bilhões, alta de 26,2% em relação a novembro e avanço de 101,6% frente ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho de dezembro representa o maior volume nominal mensal registrado desde julho de 1994, quando foi lançado o Plano Real.

Os dados, divulgados nesta quarta-feira, 27, pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), consideram apenas os financiamentos com recursos originados nas cadernetas de poupança. Não entram aí, por exemplo, os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que abastecem o programa Casa Verde e Amarela, que substituiu o Minha Casa Minha Vida.

O volume consolidado de financiamentos para compra e construção de imóveis, incluindo os recursos do FGTS, também atingiram o maior patamar da história, de R$ 177 bilhões.

Em decorrência da pandemia, a demanda de crédito imobiliário chegou a cair por alguns meses, mas iniciou uma forte recuperação a partir de junho, com ganho de força ao longo do segundo semestre, impulsionada pela taxas baixas de juros.

Em termos de número de unidades compradas e construídas, a pesquisa apontou que foram financiados 426,8 mil imóveis em 2020, resultado 43,2% superior ao de 2019, quando foram 298 mil.

No mês de dezembro, o crédito atendeu 55,9 mil imóveis, resultado 20,9% superior ao de novembro e 76,6% maior do que no mesmo mês do ano anterior.

Projeção de novo recorde em 2021

Para 2021, a Abecip projeta um novo recorde no crédito imobiliário, de R$ 157 bilhões, o que, se confirmado, significaria um aumento de 27% em relação ao valor de 2020. 

A estimativa também é de recorde no volume consolidado de financiamentos para a compra e a construção de imóveis no País, de R$ 214 bilhões, o que vai representar um crescimento de 21% na comparação com 2020.

Segundo a presidente da associação, Cristiane Portella, a previsão de expansão é resultado de combinação de vieses positivos entre consumidores, bancos e construtoras. Ela destacou que a queda na taxa de juros aumentou o poder de compra da população. Além disso, há um movimento de valorização das residências, já que as pessoas estão passando mais tempo em casa por causa da pandemia.

"A melhora das taxas ampliou o numero de pessoas capazes de fazer a compra. A taxa estava acima de 10% ou 11% em 2017. Hoje está abaixo de 7%. Isso é muito positivo", enfatizou.

A executiva disse não acreditar na possibilidade de uma eventual alta imediata nos juros dos financiamentos neste ano se a projeção do mercado para elevação da taxa básica, a Selic, se confirmar. "Para o curto prazo neste ano, não devemos ter aumento de taxa", citou. "Há bastante competição no setor."

Ela acrescentou que também vê um movimento de aumento na concessão de licenciamento para empreendimentos imobiliários, bem como avanço na construção de projetos lançados nos meses anteriores - fatores que também alimentarão a demanda de crédito pelas empresas.

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