Crédito imobiliário da Caixa deve representar até 10% do PIB em 2015

Para o vice-presidente de Governo da Caixa, Jorge Hereda, meta é factível e ciclo de crescimento atual do crédito deve ser mantido ao longo dos próximos anos

Fabiana Holtz, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 13h58

O crédito imobiliário no Brasil tem condições de representar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, na avaliação do vice-presidente de Governo da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda. "No Brasil, o volume de crédito imobiliário ainda é inexpressivo, se comparado ao PIB e, portanto, acredita-se que o atual ciclo virtuoso deve se manter ao longo dos próximos anos", observou o executivo, ao afirmar que essa meta é factível. Atualmente, o segmento representa apenas 3% do PIB.

Durante coletiva de imprensa o executivo deixou claro que não acredita em uma bolha imobiliária. "O preço dos imóveis estava deprimido há muito tempo, sem dúvida agora o mercado está aquecido e a renda da população melhorou". Na opinião de Hereda, a instituição tem até 2013 para encontrar uma solução que possibilite esse crescimento sustentado, minimizando os temores com relação a perspectiva de esgotamento dos recursos da caderneta de poupança.

Ao anunciar desempenho recorde em sua carteira de crédito habitacional, que atingiu R$ 34,1 bilhões neste semestre, a instituição chama a atenção para o volume negociado no 6º Feirão da Casa Própria, realizado em treze cidades brasileiras. O evento, que recebeu 576.194 visitantes, movimentou R$ 8,4 bilhões. Durante coletiva de imprensa sobre os resultados da instituição referentes ao crédito imobiliário no semestre, Hereda observou que os números confirmaram a expectativa do banco de superar as edições anteriores, ao apresentar uma expansão de 70% em relação ao ano passado.

As linhas de crédito habitacional da Caixa destinadas à produção e aquisição de imóveis novos também foram destaque no período. Segundo a instituição, para imóvel novo ou na planta, os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) somaram R$ 11,43 bilhões, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) R$ 5,15 bilhões, o FAR R$ 4,1 bilhões e as demais fontes R$ 120 milhões. O montante total é 173,7% superior ao informado no primeiro semestre do ano passado. Em número de unidades foi registrado um salto de 300% no mesmo intervalo de comparação, de 74.898 unidades para 301.405 unidades.

Os recursos investidos para financiamento de imóveis usados, por sua vez, cresceram 39% entre janeiro e junho em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de R$ 9,6 bilhões para R$ 13,3 bilhões.

Securitização

Hereda

revelou que a instituição tem conversado com o Ministério da Fazenda sobre alternativas possíveis para aumentar os recursos para financiamento habitacional. "A alternativa de buscar recursos fora do País é concreta, mas não acredito que seja no curto prazo", afirmou ao lembrar que o FGTS tem capital suficiente para continuar investindo de R$ 26 bilhões a R$ 27 bilhões por ano nos próximos 10 anos. Em market share, no final de maio a carteira de habitação da Caixa respondia por 81,8% do mercado.

Questionado sobre a possibilidade de uma operação de capitalização, o executivo disse acreditar que a instituição tem outras alternativas internas para resolver o problema de funding. "Estamos tranquilos com relação aos recursos necessários para este ano e em paralelo trabalhamos na securitização de nossa carteira. Dos R$ 80 bilhões que temos disponíveis, pelo menos R$ 20 bilhões são passíveis de securitização", afirmou. A Caixa deve lançar até o final do ano uma emissão de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs), com um valor estimado de aproximadamente R$ 500 milhões na primeira tranche, para testar a demanda do mercado. 

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