Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Crédito imobiliário não sente efeito da pandemia e avança 22,6% em abril

Segundo associação do setor, volume de empréstimos concedidos em abril, que somaram R$ 6,7 bilhões, foi semelhante ao registrado nos dois meses anteriores

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 15h51

Os financiamentos para a compra e a construção de imóveis no País atingiram R$ 6,7 bilhões em abril, queda de 0,4% em relação a março e alta de 22,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, informou a pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) nesta quinta-feira, 4.

O resultado de abril sugere que a crise do novo coronavírus ainda teve impacto muito pequeno ou até mesmo neutro sobre o setor de crédito imobiliário, avaliou a associação. Isso porque o volume de empréstimos concedido em abril - o primeiro mês completo sob isolamento social - foi semelhante ao registrado nos dois meses anteriores.

Os empréstimos entre janeiro e abril atingiram R$ 26,95 bilhões, um avanço de 27,9% em relação ao mesmo quadrimestre do ano passado. Segundo a Abecip, isso indica que a quarentena teve pouca influência na atividade do setor.

No acumulado dos últimos 12 meses até abril, os empréstimos somaram R$ 84,59 bilhões, alta de 33,9% em relação ao apurado nos 12 meses anteriores.

Imóveis financiados

A pesquisa mostrou também que foram financiados em abril a aquisição e a construção de 23,6 mil imóveis, resultado 7,8% inferior ao de março e 15,7% maior do que o apurado em abril de 2019.

No quadrimestre, foram financiadas 102,72 mil unidades, resultado 22,2% maior que o de igual período de 2019. E nos últimos 12 meses, os financiamentos viabilizaram 316,6 mil imóveis, alta de 25,8% em relação aos 12 meses anteriores.

A Caixa Econômica Federal liderou a concessão de financiamentos imobiliários no acumulado do ano, com R$ 10,688 bilhões em desembolsos. Em seguida vieram Bradesco (R$ 5,962 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 5,169 bilhões), Santander (R$ 3,642 bilhões) e Banco do Brasil (R$ 753,5 milhões).

Poupança

Os dados da Abecip consideram apenas os empréstimos cujas fontes de recursos são as cadernetas de poupança. Não estão computados aí, por exemplo, os empréstimos com dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), outra fonte importante para o setor.

A captação líquida das cadernetas atingiu R$ 24,6 bilhões em abril, recorde mensal da série histórica iniciada em julho de 1994. O melhor resultado anterior havia sido registrado em dezembro de 2017, mês em que a captação líquida alcançou R$ 14,96 bilhões e que, sazonalmente, exibe bom desempenho.

Segundo a Abecip, alguns fatores se combinaram para explicar o resultado: redução do consumo devido ao isolamento social, maior preocupação financeira com o futuro próximo, queda da rentabilidade das demais aplicações e perdas no mercado acionário. Esses fatores podem estar levando pessoas a se refugiar na simplicidade e segurança da caderneta, avaliou a Abecip.

A captação líquida positiva e o crédito de rendimentos elevaram o saldo das cadernetas para R$ 685,7 bilhões no fim de abril, com variação positiva de 4% em relação ao mês anterior e de 11,7% em relação a igual período de 2019.

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