Crédito interbancário trava;bancos perguntam 'quem é próximo?

As operações financeiras e osempréstimos interbancários quase foram interrompidos nestasegunda-feira, com os bancos cada vez mais temerosos emnegociar uns com os outros após o quase colapso do banco deinvestimento Bear Stearns e em meio ao rumor de mais uma rodadade ajuda coordenada pelos bancos centrais. Com as ações de bancos e o dólar norte-americanodespencando, o acesso das instituições financeiras aempréstimos interbancários era medido a conta-gotas. Operadoresdiziam que o mercado de balcão está altamente discriminatório,dependendo do nome do banco. As taxas publicadas não eram confiáveis, e analistasdisseram que qualquer banco que já não tenha reservado recursospara mais de uma semana vai ter dificuldade em levantardinheiro. "O quase colapso do Bear e a aquisição aceleram a crise deliquidez e a crise do mercado aberto", disse Willem Sels,analista da Dresdner Kleinwort, em nota a clientes. "A aversão dos bancos a risco e a sensibilidade ao risco decontrapartida devem aumentar ainda mais, levando a maiorpressão nos hedge funds. Os mercados abertos estão tendo umdespertar brutal." SEM LIQUIDEZ Pessoas ligadas a bancos disseram que estão tendodificuldades para avaliar os acontecimentos desde que o FederalReserve de Nova York anunciou, na sexta-feira, que estavaauxiliando o Bear Stearns via JPMorgan . A preocupação intensacom a estabilidade e a solvência de outras instituiçõesfinanceiras secou os volumes no mercado de crédito. Em uma tentativa de minimizar o contágio, e em conjunto coma venda em liquidação do Bear Stearns para o JPMorgan, o Fedcortou no domingo a taxa de redesconto em 0,25 pontopercentual, para 3,25 por cento, e anunciou outra série demedidas de liquidez. Mas com a preocupação sobre a possibilidade de outrasempresas traçarem um destino similar ao do Bear Stearns, cadaoperação provocava muito nervosismo. "Esta manhã está bem sem liquidez. Se você quiser umempréstimo sem garantia, você realmente vai ter que pagar maispor isso. A situação está realmente bem intensa", disse DavidKeeble, analista da Calyon. Os bancos puxavam a fila de perdas no mercado de açõeseuropeu, que caía mais de 3 por cento. O Royal Bank of Scotlandperdia 7 por cento. O UBS e o Barclays cediam cerca de 8 porcento. O HBOS e o Alliance & Leicester tinham baixa deaproximadamente 10 por cento. As ações do Lehman Brothers despencavam 22 por cento, maschegavam a perder 34 por cento antes da abertura do mercado emWall Street. "Todos estão perguntando: quem é o próximo? Há um BearStearns na Europa? Os bancos de investimento podem começar aquebrar?", afirmou o estrategista do BNP Paribas, Edmung Shing. O problema era visto como particularmente agudo nosmercados em libra esterlina. Alguns analistas disseram que osprincipais participantes do mercado interbancário vinhamfazendo até 700 milhões de libras em negócios na semanapassada, uma fração dos muitos bilhões de dólares que vinhamsendo feitos há um ano. O volume era ainda menor nestasegunda-feira. PROBLEMAS EM TODA PARTE A taxa de empréstimo interbancário em euro também estavacerca de 65 pontos-básicos acima juros do Banco Central Europeu(BCE), em comparação a cerca de 40 pontos no começo do mês. Opico foi atingido no final do ano passado, a cerca de 90pontos. Um porta-voz do ministério alemão das Finanças disse quenão está planejado nenhum encontro extraordinário do Grupo dosSete, que reúne as principais economias do mundo. "Estamosmonitorando muito de perto os acontecimentos nos EstadosUnidos", disse. Com o dólar deslizando para mínimas recordes, operadoresdisseram que os mercados de opções cambiais também estavamsecando. (Reportagem de Jamie McGeever e Sitaraman Shankar) REUTERS SC RF

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