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Crédito já atinge 33,1% do PIB

Porcentual é o maior desde janeiro de 1995 e chegou a R$ 841,5 bilhões

Gustavo Freire, O Estadao de S.Paulo

25 de setembro de 2007 | 00h00

O volume total de crédito bancário para empresas e pessoas físicas teve em agosto expansão de 2,9% e chegou a R$ 841,5 bilhões. O crescimento elevou a participação total do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) para 33,1%, o maior porcentual desde os 36,8% de janeiro de 1995. Nos últimos 12 meses, o volume de crédito se ampliou em 24,8%, segundo informou ontem o Banco Central.A expansão continuou forte no início de setembro. Nos seis primeiros dias do mês, apenas o chamado crédito livre, que corresponde aos empréstimos não direcionados para nenhum segmento específico, aumentou 3,3%. Mas o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, mantém a cautela e não toma esse porcentual como indicador de uma expansão mais acentuada neste mês.''''São dados muito preliminares. Não dá para extrapolar para saber o que vai acontecer no mês fechado'''', ressaltou. A última vez que o crédito cresceu acima de 2,9% em um único mês foi em setembro de 2002, quando a alta foi de 6,1%.''''O crescimento do crédito é um reflexo do aumento da renda e do emprego na economia que têm provocado uma elevação do consumo das famílias'''', disse Altamir. Outro fator é o aumento do prazo médio dos empréstimos bancários. ''''Com prazos maiores, o valor das prestações passa a caber no orçamento das famílias. Para os brasileiros, o estoque é importante e não qual o nível da taxa de juros cobrada pelos bancos'''', disse o chefe do Depec.Em agosto, o prazo médio dos empréstimos aos consumidores já estava em 414 dias, um recorde da série histórica do BC, iniciada em julho de 1994.A expansão do crédito ocorre de maneira generalizada nos vários tipos de financiamento, embora alguma modalidades chamem mais a atenção. Para pessoas físicas, as operações de leasing para aquisição de veículos acumulam alta de 79,8% em 12 meses e os empréstimos imobiliários - com recursos livres - mostram crescimento de 73,9%. Mas essas modalidades ainda têm saldo relativamente pequeno. ''''O crédito imobiliário total no Brasil é de apenas 1,6% do PIB. Nos Estados Unidos, ele corresponde a 60% do PIB'''', comparou Altamir.Para o chefe do Depec, o crescimento do crédito não deverá provocar aumento da inadimplência mesmo num ambiente de economia menos aquecida que neste ano. ''''Nos empréstimos com desconto em folha, vemos que os bancos têm uma certa cautela em realizar operações de crédito com trabalhadores da iniciativa privada para evitar riscos mais altos.'''' Em agosto, esses empréstimos correspondiam a apenas 12,8% do total de R$ 59,8 bilhões em operações de crédito consignado.Ele também destacou que as compras de carros feitas por operações de leasing têm como garantia o próprio automóvel. ''''Em caso de inadimplência, os bancos podem se apropriar do bem adquirido pelo cliente.''''JUROSQuanto ao comportamento dos juros do crédito bancário, o chefe do Depec admitiu que a trajetória de queda dos últimos sete meses poderá ser interrompida no médio prazo, se o aumento da volatilidade nos mercados persistir por um período de tempo mais longo do que o esperado pelos bancos.A interrupção seria causada, de acordo com Altamir, por um aumento dos custos de captação dos recursos usados pelos bancos nas operações de crédito. Em agosto, esse custo aumentou de 10,8% para 11%. Mesmo assim, as taxas médias de juros cobradas dos consumidores caíram de 47% para 46,6% ao ano.A interrupção na queda dos juros, segundo o chefe do Depec, não deverá gerar uma redução do ritmo de crescimento do crédito. ''''Os prazos maiores dos empréstimos deverão sustentar a expansão das operações mesmo em um ambiente de juros estáveis'''', comentou.

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