Crédito maior favorece setores na Bolsa

Taxas de juros mais baixas significam rentabilidade mais baixa dos recursos emprestados ao governo. Com isso, os bancos têm aumentado o volume de crédito com o objetivo de garantir os lucros. No mercado acionário, o reflexo disso é a melhoria das perspectivas de valorização das ações de empresas afetadas pelo aumento do crédito. De acordo com Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management, o segmento de varejo deve ser o primeiro beneficiado. "O aumento do volume de crédito permite que as pessoas comprem bens de consumo de valor um pouco mais alto, como os de linha branca (geladeiras, fogões, máquinas de lavar etc.). A tendência é que as grandes redes de supermercado aumentem suas vendas e, com isso, melhorem seus resultados", afirma. Nesse setor, Balafas destaca os papéis das Lojas Americanas. "O papel está com um valor baixo e deve reverter o resultado até o final do ano. Além de ser beneficiada pelo aumento do crédito, a companhia também é favorecida pela retomada da atividade econômica", explica. No fechamento de sexta-feira, os papéis da empresa ficaram cotados a R$ 4,90. De acordo com as perspectivas de Balafas, essas ações devem apresentar uma valorização de 22,45% em um ano.Os papéis do Ponto Frio, que na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) são chamados de Globex, também apresentam boas perspectivas de rentabilidade. Porém, de acordo com Henrique Fonseca, diretor de renda variável do Santander Asset Management, as ações dessa companhia têm baixo volume de negócios. "Na hora de comprar ou vender o papel, o acionista pode ter dificuldade para fazer o negócio", explica.Setor siderúrgico e de construçãoCom o aumento do volume de crédito, um dos segmentos beneficiados é o setor de automóveis. Porém, não há papéis desse segmento disponíveis em Bolsa. Nesse caso, o investidor deve comprar ações do setor siderúrgico. "As pessoas têm mais condições para adquirir carros. Em função disso, as montadoras precisam aumentar a produção e gastam mais aço", explica. A indicação de Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável do BankBoston, são os papéis da Usiminas. "Como a companhia produz aços planos para o mercado interno, seus resultados devem ser beneficiados pelo aumento das vendas para o setor automobilístico". O executivo prevê uma valorização de 43,56% para essas ações em um ano. Alexandre Póvoa, diretor de renda variável da ABN Amro Asset Management, indica os papéis da siderúrgica Gerdau. O setor de construção também beneficia-se pelo aumento da oferta de crédito, pois a maioria das vendas desse segmento é financiada. Balafas indica as ações da Duratex. Ziegelmann também aposta no potencial de valorização dessas ações. O diretor do Boston prevê que os papéis da Duratex apresentem uma valorização de 24,03% em um ano. Porém, existem poucas ações para negócios disponíveis no mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.