Crédito mais apertado com os saques nas cadernetas

Os saques líquidos nas cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiram R$ 50 bilhões em 2015 e intensificaram-se neste ano, alcançando R$ 24 bilhões no primeiro trimestre, dos quais R$ 5,4 bilhões em março. As indicações do Banco Central (BC) são de que as retiradas persistiam no início de abril, o que justifica a apreensão com a crescente falta de recursos para habitação.

O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 03h00

Com saldos de cerca de R$ 500 bilhões no SBPE, que não incluem a poupança verde do Banco do Brasil, as cadernetas de poupança permitiram o financiamento de 341 mil imóveis no ano passado, de um total de 1,87 milhão de contratos em curso. Em sua maioria, são imóveis destinados à classe média. Do ponto de vista quantitativo, as cadernetas só são menos importantes para o crédito habitacional do que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que propiciou a contratação de 630 mil financiamentos em 2015 e tem 3,14 milhões de operações em curso, em geral para as faixas de menor renda.

Há o temor de que o crédito imobiliário continue escasso por longo período, porque, além dos vultosos saques nas cadernetas, as disponibilidades de recursos do FGTS são decrescentes e há o temor de que os recursos possam se esgotar até o ano que vem. Não há fontes novas suficientes para suprir totalmente a escassez desses recursos.

Dos recursos de poupança, 65% são obrigatoriamente aplicados no financiamento habitacional, 30% são transferidos ao BC como depósitos compulsórios e 5% são de aplicação livre. A situação é ruim desde o final de 2015, pois a maioria dos bancos, inclusive a CEF, cumpriu a exigência de aplicar 65% e já usa os recursos livres. O BC liberou 18% do compulsório para reforçar o crédito, cerca de R$ 22,5 bilhões, mas até fevereiro já foram usados cerca de R$ 17 bilhões.

São poucos os recursos adicionais que ainda podem financiar a construção ou a aquisição final do imóvel, como o retorno dos empréstimos (que se dá quando os mutuários pagam mensalmente as prestações), estimados em até R$ 50 bilhões por ano. Alguns bancos lançam Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) para atender à demanda de crédito, mas a rentabilidade das LCIs é maior que a das cadernetas, o que torna o crédito mais caro.

Oferecendo rentabilidade menor que a dos fundos, as cadernetas, por mais valiosas que sejam para financiar a moradia a custos módicos, continuarão a perder recursos.

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