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Crédito para baixa renda volta a ganhar força

O crédito popular pré-aprovado para os consumidores de baixa renda volta a ser o alvo das financeiras e das grandes redes de varejo para garantir a rentabilidade. Com a desaceleração no ritmo de atividade, emprestar para quem ganha pouco, isto é, até cinco salários mínimos, ou R$ 900 mensais, é um bom negócio. Afinal, são cerca de 51 milhões de brasileiros que estão nessa faixa de renda. Eles representam cerca de 80% da população urbana com rendimentos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.Além desse mercado ser gigantesco, o que dilui o risco dos empréstimos, boa parte do orçamento dessa população está empenhada com despesas obrigatórias do dia-a-dia, como alimentação e transporte. Com o aumento das tarifas de luz, telefone e transportes nos últimos quatro meses, o crédito torna-se uma saída para fechar as contas no fim do mês. Também o fato de a taxa cobrada nos financiamentos para baixa renda ser alta, em torno de 10%, garante a boa rentabilidade comparada a outras linhas de crédito.Cartões de créditoAtentos a essa tendência, dois grupos, o Pão de Açúcar e a financeira Fininvest, uniram-se para lançar um cartão de crédito pré-aprovado para a baixa renda, sem anuidade. Destinado às famílias que ganham no mínimo R$ 150 por mês, o cartão pode ser usado no Barateiro e Extra.De acordo com o diretor-executivo de Produtos e Serviços Financeiros do Pão de Açúcar, Carlos Henrique Bandeira de Mello Jr., a perspectiva é ter até o fim do ano 500 mil cartões populares com a bandeira Extra e um milhão em 2002. No caso do Barateiro, a projeção é emitir 200 mil cartões até dezembro e 500 mil no ano que vem. "É no cenário mais adverso que surge a oportunidade de tornar o cliente fiel." Ele ressalta que nesses períodos a aprovação do crédito para baixa renda é mais difícil.A estratégia da Fininvest repete-se em outras redes. Das 117 companhias parceiras no segmento de cartões com a marca da empresa (private label), 70% são supermercados. Neste ano, a financeira passou a administrar cartões do Sendas e Sonae.A financeira Servloj é outra que está empenhada nos cartões para baixa renda. Segundo o diretor-geral Oswaldo de Freitas Queiróz, a empresa está fazendo teste de um cartão com crédito pré-aprovado para famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos (R$ 180 e R$ 900) em Ponta Grossa, no Paraná. A intenção, diz ele, é pôr o cartão em funcionamento a partir de janeiro de 2002, mas com parcerias com redes locais, supermercados, lojas de artigos de vestuário, postos de gasolina, entre outros. Inicialmente, o produto será lançado no Paraná e Santa Catarina e o público-alvo é cliente com histórico de crédito na financeira."Emprestar para a baixa renda dilui o risco de inadimplência", diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Miguel Ribeiro de Oliveira. Ele explica que, para essa faixa de renda, o crédito é muito importante, por isso é fundamental ter o nome limpo.O juro elevado cobrado nos empréstimos para a baixa renda é outro fator que torna esse segmento atraente na crise, diz Queiróz, da Servloj. As taxas elevadas funcionam como um "bom colchão" contra eventuais perdas.Ricardo Malcon, vice-presidente da Acrefi, que reúne as financeiras, observa que o melhor cliente para conceder financiamentos é o assalariado. "Ele paga melhor e vive de crédito."O diretor Comercial da Losango, Leonel Andrade, observa que, do ponto de vista do risco global do negócio, emprestar para esse segmento é mais interessante em períodos de restrição de renda porque os valores financiados são menores e os prazos menores. Quando se avalia o risco da operação a análise não é válida porque, no caso de veículos, é possível reaver o bem, o que não ocorre com outros produtos.

Agencia Estado,

01 de outubro de 2001 | 11h22

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