Estadão
Estadão

carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Crédito para capital de giro registra queda

Apesar de o crédito em geral dar sinais de avanço, ainda está travado para empresas

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Modalidade de crédito mais procurada pelas empresas, o capital de giro segue travado no País. Apesar da melhora recente no ambiente econômico, as concessões de capital de giro já caíram 14% em 2017 nas operações com recursos que os bancos podem usar livremente e despencaram 43,2% no caso do crédito com dinheiro do BNDES. Apenas em julho, o tombo foi de 32,9% e 25,3%, respectivamente, o que indica que o fundo do poço não foi atingido.

Cerca de 43% do saldo total das operações de crédito para empresas no País, no caso dos recursos livres (fora poupança e BNDES), são de capital de giro. Hoje isso equivale a cerca de R$ 300 bilhões, mas no fim de 2014 – antes da recessão – valor chegou a R$ 375 bilhões.

Com o capital de giro, as empresas podem tocar as operações no curto prazo, pagando fornecedores, contas de luz, água, telefone e salários, entre outros itens. Sem o crédito, elas são obrigadas a recorrer ao próprio fluxo de receita e, no limite, a fechar as portas.

Os dados mais recentes sugerem recuperação nas linhas para as famílias, em sintonia com a melhora da atividade e a baixa da inflação, mas as empresas seguem enfrentando problemas. “O tombo para pessoas jurídicas no período recente é mais prolongado. No capital de giro, as concessões continuam caindo de forma acentuada”, disse o economista João Morais, da Tendências Consultoria.

Em julho, segundo dados do Banco Central, os bancos liberaram apenas R$ 10,77 bilhões em capital de giro para empresas. Em dezembro de 2014, concessões somaram R$ 30,89 bilhões.

A dificuldade atinge empresas de todos os portes, mas é mais preocupante para as menores. “O acesso ao crédito da imensa maioria das micro e pequenas empresas está vedado”, disse o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. “Percebemos que elas buscam alternativas para não pegar dinheiro em bancos, pois a percepção delas é de ‘pegar e morrer’.”

Uma das explicações é o custo das operações, ainda muito alto. O juro médio de uma operação de capital de giro com recursos livres está em 21,2% ao ano. No melhor momento da série histórica, em 2012, chegou a 15,9% ao ano. “Os pequenos empresários estão evitando pegar dinheiro novo. Cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça”, diz Afif.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.