Crédito para carros ainda não fez efeito, diz Anfavea

O efeito das medidas anunciadas mês passado pelo Banco Central (BC), com foco principal no aumento da concessão de crédito para a compra de automóveis, ficará mais para o fim do ano, segundo executivos do setor, que pintaram ontem um quadro pessimista en seminário na Firjan, organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo estadual do Rio. "Esse choque de liquidez só começou a operar na última semana de agosto", destacou Luiz Moan, presidente da Anfavea, associação da indústria automobilística.

VINICIUS NEDER / RIO , O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2014 | 02h03

Para o executivo, o efeito é uma questão de tempo, pois alguns bancos já começaram a baixar suas taxas de juros em de 30% a 35% e algumas carteiras de crédito de instituições de médio porte já começaram a ser compradas.

Um dos objetivos das medidas foi facilitar a compra de carteiras dos bancos médios pelos maiores, operação importante para o segmento de crédito a automóveis e, portanto, facilitar os empréstimos aos consumidores. "No mundo todo, as vendas de automóveis dependem de crédito e havia uma contenção muito grande na concessão de financiamentos", disse Moan.

A Nissan e a PSA Peugeot Citröen, cujas fábricas ficam no Rio, na região do Vale do Paraíba, ainda não viram os efeitos das medidas do BC. "Essas medidas vão ajudar pouco a sensibilizar o consumidor final. Elas terão alguns reflexos positivos para as concessionárias", disse Carlos Gomes, presidente da PSA. Ele classificou de "conjunturais" as medidas de incentivo ao consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), pois "antecipam uma demanda futura", ou seja, a venda é feita antes, mas não será feita depois.

"O carro brasileiro é o mais taxado do mundo e não tem porquê", disse François Dossa, presidente da Nissan, que inaugurou sua primeira fábrica no Brasil em abril, em Resende (RJ).

Além da fraca demanda interna, outra ameaça à indústria automotiva é a crise na Argentina, único mercado externo para os fabricantes nacionais. Gomes, da PSA, destacou que o mercado argentino cairá de 925 mil unidades em 2013 para 650 mil unidades vendidas este ano.

Apesar do pessimismo, as montadoras ainda não falam em demissões, mas estão dando um jeito de se adequar. A MAN Latin América, fabricante de caminhões, tem 100 empregados com o contrato de trabalho suspenso, mas outros 200 na mesma situação decidiram deixar a empresa. O mesmo ocorreu com 650 empregados da PSA.

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