Crédito para casa própria cresce 24% no trimestre

Soma dos empréstimos chega a R$ 25,2 bilhões, incluindo a parcela dem R$ 8,3 bilhões em março, o melhor resultado para o mês desde 1994

Larissa Féria, ESPECIAL PARA O ESTADO,

29 de maio de 2014 | 11h53

SÃO PAULO - Os bancos emprestaram em março R$ 8,3 bilhões para compra e construção de imóveis pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), o melhor resultado para o mês nos últimos 20 anos. No primeiro trimestre, o crédito imobiliário soma R$ 25,2 bilhões, resultado 24% acima do que em igual período do ano passado.

O financiamento deve fechar 2014 com ritmo mais moderado. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) estima crescimento de 15% neste ano. Em 2013, o índice foi de 32%, para R$ 109 bilhões.

Embora a alta da taxa Selic não afete diretamente o crédito imobiliário, os bancos estão mais cautelosos na hora de liberar o financiamento. A inadimplência da modalidade, porém, permanece baixa, em 1,8%.

"Mesmo tendo a garantia do imóvel, o menor crescimento econômico e a inflação mais alta corrompem a renda do trabalhador, aumentando risco de inadimplência", diz Miguel de Oliveira, diretor da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). "Esse cenário faz bancos ficarem mais restritivos."

As vendas de imóveis novos, no entanto, não têm acompanhado a evolução do crédito. Embora tenha apresentado crescimento em relação ao mês anterior, o volume negociado em março foi 57,3% menor do que no mesmo mês de 2013. "Existe defasagem de até dois anos entre a venda de um imóvel novo e o financiamento, que é o período da construção", explica Flávio Prando, vice-presidente de habitação econômica do Sindicato da Habitação (Secovi).

As vendas de 3.755 unidades de janeiro a março foram 45,3% inferiores às do primeiro trimestre de 2013 (6.862 apartamentos). Até março, os lançamentos totalizaram 3.908 unidades, com queda de 26,6% em relação a igual período do ano passado.

Prando acredita que o mercado deva se recuperar apenas no quarto trimestre, após Copa do Mundo e eleições. "Os dois eventos mexem com as pessoas, que acabam postergando a compra. Há espaço para crescer, o que deve ocorrer no final do ano."

Dona da maior carteira de crédito imobiliário do País, com 70% do mercado, a Caixa promoveu neste mês o 10º Feirão da Casa Própria, a fim de ajudar a impulsionar as contratações e manter o seu índice de participação.

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