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Crédito para compra de veículo cai 15,3% no 1º tri

O crédito para aquisição de veículos apresenta um dos piores desempenhos entre as modalidades de financiamento. Depois de ficar relativamente estável durante o ano passado, segundo dados do Banco Central, começou a cair. As concessões de crédito da modalidade apresentaram queda de 8%, no mês passado. No trimestre, o tombo acumulado é de 15,3%. Para a autoridade monetária, a retração é causada pela confiança dos consumidores em baixa, fim dos estímulos à compra do carro novo e elevação dos juros

VICTOR MARTINS E EDUARDO RODRIGUES, Agencia Estado

29 de abril de 2014 | 20h21

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De fevereiro para março, o saldo das operações do segmento recuou 1%, para R$ 189,996 bilhões, o menor valor em 21 meses. Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, ao avaliar o cenário do crédito no País, disse que "os financiamentos de veículos foram o destaque negativo de março". "No mês, isso (retração de 1%) representa um recuo de cerca R$ 2 bilhões (no saldo). Já faz algum tempo o crédito para veículos não mostra avanços e no começo desse ano passou a recuar."

Maciel ainda citou a redução dos incentivos tributários para o setor, a exemplo do desconto de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como um dos fatores para o desempenho do segmento em 2014. Segundo ele, esse benefício levou à antecipação de compras nos anos anteriores. "Parte desse momento vivido pelo mercado reflete isso", explicou.

Para o economista do BC, o problema não está apenas do lado da oferta de crédito pelos bancos, mas também do lado da demanda dos tomadores. "A confiança do consumidor é importante nesse contexto, para a tomada de crédito para a compra de automóveis", ponderou.

Menos calotes

O chefe do Departamento Econômico afirmou ainda que parte da inadimplência no segmento, que já foi um problema em anos anteriores, está contornada. "Mas ainda há espaço para cair mais", defendeu. Em março, os calotes em financiamentos de automóveis ficaram em 5%. Em igual mês de 2013 essa taxa era de 6,3%.

As demais modalidades de crédito, pelos dados do BC, apesar de não terem recuado no mês, apresentaram "moderação". Na avaliação de Maciel, no acumulado de 12 meses é possível observar um ritmo mais lento. Até fevereiro, o saldo das operações avançava, em termos anualizados, 14,7%; no mês passado essa taxa recuou para 13,7%. "Isso está em linha com a perspectiva que temos traçado para o crédito no ano, um crescimento de 13%", avaliou, lembrando que março deste ano teve um dia útil a menos que o mesmo mês de 2013.

Ele destacou ainda o que chamou de "absoluta estabilidade" da inadimplência em um patamar historicamente baixo, mesmo em um ambiente de elevação dos juros básicos da economia (Selic), que passaram de 7,25% em abril do ano passado para 11% neste mês. O economista citou o calote nas modalidades de cartão de crédito parcelado e crédito pessoal total, que chegaram a seus pisos históricos em março, ficando em 0,4% e 3,9%, respectivamente.

Alerta

Esse cenário benigno, porém, pode sofrer mudanças nos próximos meses. Os atrasos de 15 a 90 dias, usados pelo BC como indicador antecedente de inadimplência, registraram avanço no mês. No caso de pessoas físicas, os atrasos com essa duração no crédito livre subiram de 6,2% para 6,8%, enquanto para pessoas jurídicas aumentaram de 2,4% para 2,8%.

"É preciso aguardar mais observações nos meses seguintes para podemos inferir se isso representa uma interrupção no declínio da inadimplência", disse. "O começo do ano traz muitos gastos escolares e com tributos e isso pode ajudar a explicar esses atrasos."

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