Crédito para empresas já começa a se regularizar, diz Meirelles

Segundo o presidente do BC, fluxo ainda não atingiu pico anterior à crise, mas processo está sendo restaurado

Fabio Graner, Adriana Fernandes e Leonardo Goy, da Agência Estado,

30 de outubro de 2008 | 12h34

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o fluxo das linhas de Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio (ACC) - usados principalmente pelas empresas exportadoras - já começam a se regularizar. "Logo após a concordata do Lehman Brothers (14 de setembro), houve uma queda forte dos ACCs. Depois disso, o BC fez leilões de linha e a situação melhorou um pouco. Agora, a situação começou a se regularizar. Ainda não atingiu o pico anterior à crise, mas o processo está sendo restaurado", afirmou em participação da audiência pública na Comissão de Senado.   Veja também: Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Para ele, as empresas que contratam essas linhas ainda sentem escassez, por causa da fila criada pelo solavanco do mês passado.   Segundo Meirelles, o BC divulgará ainda nesta quinta, "mais tarde", normas complementares para operações de empréstimos em dólar com garantia para o comércio exterior. "Serão operações sofisticadas, mas eficientes, que divulgaremos até o fim do dia de hoje", disse. Meirelles, entretanto, não detalhou quais seriam as novas normas.   Câmbio   O presidente do BC também afirmou que, em relação à taxa de câmbio, é importante separar o que é depreciação do real do que é apreciação do dólar. Ele lembrou que a moeda americana tem se valorizado em relação a todas as moedas, com exceção do iene. Meirelles apresentou dados que mostram que em setembro houve de fato uma depreciação do real ante o euro (que também se desvaloriza ante o dólar), relativamente rápida, mas que agora esse processo já se reverteu e a moeda brasileira encontra-se nos mesmo níveis de 2007 e, inclusive, abaixo do pico atingido em 2006.   "Em resumo, o que ocorre neste momento é que existe, portanto, uma questão de separação sobre o que é desvalorização do real e o que é apreciação do dólar", afirmou aos parlamentares, destacando também a significativa redução na vulnerabilidade externa do País de 2002 para cá.   Em sua apresentação, o presidente do BC brasileiro ressaltou a gravidade da crise, que provocou uma queda "pronunciada" do crédito nos Estados Unidos e uma perda de valor das ações das empresas na bolsa americana que, até agora, considerando pico de alta e a mínima registrada recentemente, a queda é maior do que a verificada em 1929.   "Eu acho que a comparação não é precisa porque houve uma alta acentuada e muito rápida em 1929. A bolsa foi muito acentuada em 29 e isso distorce um pouco. Não acho que seja igual. Mas de qualquer jeito é importante", afirmou.   Ele também destacou que, de outubro do ano passado até agora, as bolsas globais tiveram uma perda de riqueza de US$ 32 trilhões. E também informou que as perdas dos bancos, que exigiram capitalização por parte dos governos no mundo, somam US$ 700 bilhões.

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