Crédito para exportação deve se deteriorar mais, diz OMC

Segundo diretor-geral da entidade, mercado para financiamento internacional se deteriorou severamente

Ana Conceição, da Agência Estado,

12 de novembro de 2008 | 17h42

A Organização Mundial de Comércio (OMC) advertiu que o mercado de crédito para as exportações globais está se "deteriorando" e que a situação deve piorar nos próximos meses. "O mercado para o financiamento do comércio internacional se deteriorou severamente nos últimos seis meses, sobretudo após o mês de setembro", disse Pascal Lamy, diretor-geral da entidade, a embaixadores dos 153 países membros da OMC após uma reunião com especialistas de comércio e do mercado financeiro. Veja também:EUA não devem comprar papéis podres, diz Paulson De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos "A visão expressa hoje pelos experts em finanças é que a situação vai piorar nos meses à frente", afirmou Lamy. Convidados, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, não participaram da reunião, que foi realizada na sede da OMC em Genebra, Suíça. O encontro teve a participação de representantes de bancos como HSBC Holdings, JP Morgan Chase, Citigroup Inc., Royal Bank of Scotland Group e Commerzbank AG, segundo fontes da OMC. Armando Mariante Carvalho, vice-presidente e diretor de Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi ao encontrou e disse à Dow Jones que a reunião abordou todos os aspectos da crise financeira e seu impacto no comércio mundial. "Foi feito um resumo da crise, com ênfase nos problemas para financiar o comércio global, que são muito severos", disse. "Ninguém sabe quão profunda e longa essa crise vai ser, e como o fluxo comercial será afetado", afirmou o brasileiro. O vice-presidente do BNDES disse que, até agora, o Brasil não sentiu tanto o impacto da crise, embora algumas linhas de crédito tenham secado. Segundo ele, o BNDES e o Banco Central têm fornecido os recursos necessários para financiar as exportações do País. Em outubro, o volume de crédito caiu 20% comparado à média anual, equivalente a US$ 16 bilhões, afirmou Carvalho. Na reunião desta quarta, Lamy reiterou seu pedido para que os membros da OMC finalmente concluam a Rodada Doha de negociações comerciais, que se arrasta há sete anos. "Não estamos muito longe da conclusão da Rodada, mesmo que algumas nozes mais duras tenham ainda que ser quebradas", disse o diretor-geral da OMC, referindo-se às negociações agrícolas e sobre bens industriais.

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