Crédito passa de R$ 1 trilhão pela 1ª vez

Volume cresce 2,5% em abril e atinge o equivalente a 36,1% do PIB

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2008 | 00h00

O volume de crédito tomado por empresas e famílias no Brasil cresceu 2,5% em abril, o que levou o total das operações a atingir a casa do trilhão pela primeira vez. Dados do Banco Central mostram que o montante somou R$ 1,017 trilhão no mês passado, com um aumento de 30,9% em 12 meses - o equivalente a 36,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior nível desde 1995.O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, aposta que os empréstimos devem continuar em alta nos próximos meses, principalmente entre as empresas, e reafirmou a previsão de que o crédito vai chegar a 40% do PIB até o fim do ano. Ele observou, porém, que há sinais de "acomodação" em alguns financiamentos para pessoas físicas, sobretudo no crédito consignado.A expansão do crédito tem ocorrido em um cenário que não cria preocupações para o BC, disse Altamir. De março para abril, o juro médio caiu 0,2 ponto porcentual, para 37,4% ao ano, e o spread bancário - diferença entre a taxa de captação e empréstimo - recuou 0,4 ponto, para 25 pontos porcentuais. Na mesma base de comparação, a inadimplência, que poderia ser motivo de preocupação, ficou praticamente estável, passando de 4,1% para 4,2%.Altamir diz que esse cenário, somado ao crescimento da economia, tem encorajado famílias e empresas a pegar dinheiro nos bancos. Pessoas jurídicas, em especial as indústrias, são os clientes que têm liderado essa expansão. Em abril, o volume emprestado ao setor industrial aumentou 3%, acima da média do mercado. O ritmo é explicado pela dinâmica mais acelerada da economia, que exige novos investimentos.Petroquímica, metalurgia, mineração, construção civil e álcool lideram. Fora da indústria, lojas de veículos e de departamentos, consultorias e companhias de telecomunicação são outros destaques.Entre as pessoas físicas, a compra de veículos por leasing é a grande líder. Em abril, essas operações aumentaram 7,2% e em 12 meses saltaram 124%. Às vésperas do Dia das Mães, o cartão de crédito foi outro destaque em abril, com expansão mensal de 3,3%. Na média, o crédito para as famílias cresceu 2,6% no mês.ACOMODAÇÃOApesar dos recordes, o ritmo do crédito para a pessoa física dá sinais de alguma desaceleração. "É possível ver uma pequena acomodação nas operações para a pessoa física", disse Altamir. "O consignado, por exemplo, cresceu 2,4% em abril. Essa taxa de expansão já foi de até 8% por mês." Ele observou que o volume de operações chegou a um nível "bastante elevado", o que "diminuiu a margem de crescimento porque há um público específico para esse crédito". O empréstimo com desconto em folha é concedido basicamente a servidores públicos, trabalhadores formais da iniciativa privada e aposentados.Carlos Fagundes, professor de finanças do Ibmec-SP, concorda. "É de se esperar que a taxa de crescimento seja menos intensa porque o mercado é finito." Segundo ele, o consignado cresceu fortemente nos últimos anos porque o público que é atendido por esse segmento tinha dificuldades em tomar crédito. "Havia demanda, mas o acesso não era simples."Apesar dessa tendência, o especialista ressalta que o crédito deve continuar em expansão, ainda que em ritmo menor. Ele diz que o segmento imobiliário deve crescer ainda mais e o empréstimo para pequenas e médias empresas pode ser no futuro um indutor de crescimento da economia.

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