Crédito pode crescer mais de 15%, avalia BC

Nos 12 meses encerrados em julho, oferta de crédito teve alta de 18%; juros registraram queda, mas calote subiu

EDUARDO CUCOLO, CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h07

Os dados sobre crédito bancário divulgados ontem pelo Banco Central levaram a instituição a avaliar que esse indicador pode fechar o ano com uma expansão superior aos 15% projetados pelo governo há dois meses. Nos 12 meses encerrados em julho, o crescimento foi de quase 18%.

Além de mostrar que os bancos voltaram a liberar crédito em uma velocidade maior, com destaque para as instituições públicas, o BC informou que houve nova redução dos juros ao consumidor, que atingiram 36,2% em julho, novamente o menor nível da série iniciada em 1994.

Mesmo assim, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que não está satisfeito com a queda verificada até o momento. Dados do começo de agosto já mostram alta nas taxas para pessoas físicas.

O dado negativo no crédito em julho foi mais uma vez o calote, que voltou a subir e se manteve em 7,9% no crédito para o consumo. "A inadimplência está estável em um patamar alto", disse o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel. "Mas é acomodação com perspectiva de recuo no fim do ano", previu.

Maciel destacou o leve aumento da inadimplência do crédito pessoal, que tem grande participação no total das dívidas. Em relação ao crédito para veículos, cujas vendas receberam incentivos fiscais do governo, ele disse ainda que a inadimplência ficou estável em 6%. Além disso, o prazo médio das operações recuou quase dois meses desde julho do ano passado.

Rigor. Isso mostra, segundo Maciel, mais rigor dos bancos na hora de emprestar. Não chega, porém, a afetar a recuperação deste financiamento, que teve forte alta em junho. Em julho, houve queda nas concessões ante o mês anterior, mas o volume ainda é o segundo maior de 2012. "O crédito de automóvel está crescendo bem, influenciado pelo IPI. A parcela está menor e o prazo mais curto em relação a 2010", comparou. "A efetividade das medidas está traduzida nas estatísticas de crédito."

Para o sócio da gestora de recursos Queluz, Luís Monteiro, porém, o quadro para o crédito é outro. Tanto que o governo decidiu anunciar novas medidas de incentivo ao consumo. "Depois de todo o esforço do governo em aumentar o crédito, foi visto que não houve a expansão esperada", avaliou. Também preocupa Monteiro o comprometimento da renda dos consumidores com a compra financiada de veículos.

Cheque especial. O juro cobrado no cheque especial registrou forte queda em julho na comparação com junho e atingiu o menor patamar desde março de 2008. A redução foi de 16 pontos porcentuais, algo que não se via desde 1999. Com isso, o custo do dinheiro nessa modalidade terminou o mês em 151% ao ano.

Essa ainda é uma das linhas mais caras no País, mas os juros do cheque especial estão hoje praticamente na metade do que era cobrado no início do Plano Real, valor recorde da série estatística do BC (294% ao ano).

Públicos. Maciel salientou que os bancos públicos continuam liderando a concessão de crédito. No ano até julho, esse grupo de instituições registrou crescimento de 12,3%, atingindo R$ 992 bilhões. Já o aumento da oferta de crédito dos bancos privados nacionais no mesmo período avançou 3,4%, para R$ 821,9 bilhões, e o dos estrangeiros, 5,2%, para R$ 369,7 bilhões.

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