Crédito: taxas e prazos podem ser alterados

Bancos, financeiras e bancos de montadoras não descartam uma possível alta nos juros ao consumidor após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que poderá definir uma elevação da taxa básica de juros (Selic). Segundo representantes dessas instituições, tudo vai depender de como o mercado de juros vai reagir à decisão do Comitê, ou seja, se em função da decisão do Copom as taxas de juros interbancárias, que já estão elevadas, vão continuar em alta. "Antes de decidirmos por uma alta de juros, vamos ter que avaliar primeiramente a decisão do Comitê. Depois vamos observar se, de fato, o custo de captação dos recursos vai aumentar", explica Manoel Vieira, diretor de operações da Losango - empresa de financiamento do grupo Lloyds.Diminuição do prazo também será avaliadaOutra mudança que pode ocorrer nas operações de crédito é uma diminuição dos prazos de pagamento. Nesse caso, o aumento da inadimplência é o principal motivo apontado pelos executivos. Dados da Centralização de Serviços dos Bancos (Serasa) comprovam: em março, o total de cheques devolvidos por falta de fundos apresentou um aumento de 15,3% na comparação com mesmo período do ano anterior. Para demonstrar que o alongamento do prazo de pagamento é um fator favorável à alta da inadimplência, a Serasa preparou um estudo mostrando essa relação. A empresa avaliou 1,5 milhão de cheques pré-datados emitidos entre fevereiro de 2000 e fevereiro deste ano. O resultado revelou que a probabilidade de um cheque à vista ser devolvido, em fevereiro passado, era de 0,22%. No caso e um cheque a ser compensando depois de 61 dias e antes de 90 o porcentual sobe para 3,17%, e para depois dos 180 dias chega a 10,34%. Veja no link abaixo mais informações sobre essa pesquisa. De acordo com o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Carlos Andrade Júnior, outro fator que pode reduzir os prazos dos financiamentos é a diminuição do volume de recursos disponíveis para operações de longo prazo e também do interesse dos consumidores por essa operação. "Devido ao maior risco das operações mais longas, os juros tendem a ser maiores. Para captar dinheiro nesses prazos, os bancos e financeiras terão que pagar juros mais altos e cobrar juros também mais altos. Nesse caso, a maior atratividade dessa forma de operação, ou seja, de parcelas menores, passa a não existir mais", avalia o presidente da Anef.Veja na seqüência a posição de bancos, financeiras e bancos de montadoras sobre perspectivas para alterações.

Agencia Estado,

17 de abril de 2001 | 17h31

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