Daniel Teixeira/AE–3/6/2011
Daniel Teixeira/AE–3/6/2011

Crédito tem alta de 7,5% no primeiro semestre

Concessão de empréstimos volta a crescer em junho, apesar das medidas de contenção do BC

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

As concessões de crédito voltaram a crescer no Brasil em junho (1,6%), encerrando o primeiro semestre com expansão de 7,5%. Somente nos últimos 12 meses, o volume emprestado no País apresentou uma alta de 20%, mas o Banco Central acredita que o ritmo de tomada de recursos já diminuiu e deve fechar o ano dentro do esperado.

Para evitar um superaquecimento do crédito, com maior risco de calotes e consequências inflacionárias, o BC adotou várias medidas no início do ano que, aliadas aos sucessivos aumentos da taxa básica de juros (Selic) no primeiro semestre, tinham o objetivo de conter o volume de empréstimos a um crescimento de no máximo 15% neste ano.

Para o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Túlio Maciel, as medidas surtiram efeito e o ritmo de expansão do crédito na primeira metade do ano já mostrou um arrefecimento em relação ao segundo semestre do ano passado. "Verificamos um crescimento moderado, consistente com o ritmo de expansão da economia."

Para ele, dificilmente o ritmo de concessão de empréstimos na segunda metade deste ano terá a mesma força observada no mesmo período de 2010. "A ampliação do crédito se dará em condições mais restritivas."

Mesmo assim, a participação do crédito no Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no País) alcançou 47,2% em junho, batendo o recorde da série histórica do Banco Central, iniciada em 1988. A proporção estava em 44,6% em junho do ano passado, e a expectativa da autoridade monetária é de que essa relação chegue a 48% até o fim de 2011.

Ajuste. Uma das armas utilizadas pelo governo para conter o crédito, porém, não funcionou tão bem em junho. Apesar de a Selic ter sofrido quatro reajustes entre janeiro e junho (com mais um na semana passada, que levou a taxa a 12,5% ao ano), os juros cobrados nos empréstimos no País interromperam trajetória de sete meses de alta e recuaram 0,5 ponto porcentual no mês passado, para 39,5%.

A queda ocorreu tanto no crédito para as famílias quanto para as empresas, de 0,7 ponto e 0,3 ponto, respectivamente. Para Maciel, no entanto, o ajuste foi pontual e pode ter refletido a estabilização da inadimplência, que ficou estacionada em 5,1% em junho. "A perda de fôlego na inadimplência também pode ser observada quando olhamos os atrasos inferiores a 90 dias, que recuaram e sinalizam uma redução na inadimplência à frente."

Ainda assim, dados preliminares de julho, adiantados ontem pelo chefe de Depec, mostram que os juros já voltaram a subir neste mês. Até o dia 13, as taxas aumentaram 0,7 ponto porcentual na comparação com o nível final de junho, chegando a 40,2% ao ano. Para pessoas físicas, o aumento foi de 0,8 ponto, para 46,9% ao ano. No caso das pessoas jurídicas, a expansão foi de 0,7 ponto, para 31,5% ao ano.

Da mesma forma, o saldo de novos empréstimos continuou em expansão, de 1,1% nos primeiros nove dias úteis de julho. Pela média diária de concessões, a variação foi de 0,8% no período, sobretudo para as pessoas físicas, cujo aumento foi de 1,4%.

Habitação. Apesar do crescimento de 50% no crédito habitacional nos últimos 12 meses, Maciel descartou a existência de uma bolha e argumentou que o segmento ainda tem uma participação modesta em relação ao PIB. Em junho, essa relação chegou a 4,3%, e no mesmo mês de 2010 estava em 3,3% do PIB. "O crédito habitacional estava retraído e ainda tem espaço para crescer", avaliou Maciel.

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