Créditos de habitação são campeões do calote

Dos R$ 54,411 milhões em financiamentos imobiliários até abril, um total de R$ 8,161 milhões foram classificados no degrau mais alto de risco - nível H -, que define o mau pagador e requer provisão, ou seja reserva, de 100% do saldo do empréstimo.As informações constam de tabela divulgada ontem pelo Banco Central (BC) com base nas novas regras de provisão para os bancos, em que os créditos passam a ser classificados em nove níveis diferentes desde AA (que denota o pagador pontual e não requer provisão) ao H.De acordo com fontes da Caixa Econômica Federal (CEF), o atraso do mutuário já virou hábito. O sistema só aciona judicialmente quem deixa de pagar a terceira prestação. Com isso, muitos mutuários atrasam sempre duas prestações e ainda assim livram-se de processos.A tabela do BC indica ainda que, dos R$ 14,941 milhões emprestados pelas instituições financeiras ao setor público, R$ 1,807 milhão estão no nível H. Outros R$ 5,157 milhões estão no A e mais R$ 2,869 milhões no AA. Indústria e comércio são bons pagadores A pesquisa revelou que a indústria é boa pagadora, pois R$ 27,662 milhões dos R$ 76,315 milhões em empréstimos ao setor foram classificados como AA. Outros R$ 17,384 milhões estão em A e mais R$ 16,261 milhões em B. Os créditos ao comércio estão concentrados nos dois primeiros níveis e a maioria das pessoas física são classificadas como A. O estudo do BC, que ouviu 358 bancos, demonstra ainda que os bancos públicos concedem a maior parte dos empréstimos de risco. Prova disso é que as instituições foram obrigadas a provisionar R$ 24,010 milhões em abril, enquanto os bancos privados separaram R$10,617 milhões para maus créditos.

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