Credores aprovam plano de recuperação da OSX

Após meses de negociações, credores da OSX Brasil, holding de construção naval de Eike Batista, e das subsidiárias OSX Construção Naval e OSX Serviços Operacionais aprovaram ontem os planos de recuperação judicial das empresas. Juntas, as três companhias do grupo têm dívidas de cerca de R$ 6,6 bilhões.

MARIANA DURÃO MARIANA SALLOWICZ / RIO , O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2014 | 02h07

"A base do plano é o alongamento da dívida e a destinação aos credores da geração de caixa que decorrerá da exploração do estaleiro de Açu (em São João da Barra, RJ)", afirmou o advogado da OSX Eduardo Munhoz, sócio do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados.

De acordo com Munhoz, os principais credores que apoiaram o plano são Banco Votorantim, Santander, Prumo (ex-LLX) e Caixa Econômica Federal. "A Caixa, que tem boa parte do crédito (R$ 461 milhões), tem até 30 de janeiro para aderir ao plano, o que é condição para sua validade. Mas espera-se que essa aprovação ocorra no dia 23, quando haverá reunião do seu comitê de crédito."

A OSX tentava negociar um novo aporte com esses principais credores. Pelo plano, quem financiar um maior valor terá condições mais favoráveis de pagamento, com remuneração pelo CDI (taxa de juros praticadas nos empréstimos entre bancos) e não pela inflação. O prazo de pagamento das dívidas do grupo está mantido em 25 anos, com cinco de carência para iniciar os pagamentos.

Sócio da consultoria Angra Partners, que está à frente da reestruturação da empresa, Giovanni Foraggi diz que a meta é levantar de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões em novos recursos. Segundo Munhoz, R$ 30 milhões estão garantidos. O dinheiro será usado para fazer ajustes operacionais na companhia além de quitar dívidas com 65% dos credores, detentores de créditos menores, em até dois anos.

A injeção de recursos novos, no entanto, não está sacramentada. A adesão poderá ocorrer em um mês após a homologação do plano de recuperação judicial pela Justiça. Detentora de um crédito de R$ 300 milhões, a espanhola Acciona se posicionou contra a aprovação. É possível que a construtora alegue a nulidade da votação.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.