Credores aprovam proposta unificada de venda da Varig

Os credores da Varig aprovaram na tarde desta terça-feira a proposta de leilão da companhia aérea. Neste modelo de venda, o investidor poderá escolher se pretende comprar a Varig operacional, que engloba os ativos totais da empresa (rotas nacionais e internacionais), ou apenas a parte doméstica. Ou seja, foi aprovada a unificação dos dois planos distintos, o elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal e o do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV). A proposta aprovada prevê ainda que a administração da Varig será trocada nos próximos 10 dias, incluindo a presidência e o Conselho. Segundo Marcelo Gomes, diretor da consultoria Alvarez & Marsal, que será a responsável pela mudança, todos os novos integrantes serão "profissionais do mercado".O prazo para a mudança já estava firmado pelo plano de recuperação da empresa e segue o cronograma de criação da principal estrutura de reorganização societária da empresa, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) - que determina o controle e a conseqüente conversão das ações da Fundação Ruben Berta, acionista majoritária da Varig, com 87% dos papéis, para o FIP controle. Essa estrutura será gerida pelo banco Brascan.Gomes também disse que a possibilidade de demissões em massa na Varig até o leilão de venda da companhia aérea foi descartada. "Agora, o que se fará é um estudo profundo para se preparar para as duas hipóteses de venda da companhia (a que engloba todos os ativos operacionais e a que oferece apenas a parte doméstica)", explicou ele.Segundo o executivo, não haverá necessidade de demissões se o investidor optar por adquirir a Varig Operacional - com todos os ativos. Já se a opção for para a parte doméstica, Gomes admite que haverá dispensas. Entretanto, não informa de quanto será o corte de funcionários.Fundo de pensãoA proposta também inclui a idéia de que o investidor que adquirir a Varig Operacional terá de se comprometer a assumir os passivos do fundo de pensão da Varig, o Aerus, sob intervenção do governo desde o início do ano. Entretanto, o investidor só terá de arcar com os passivos se a Varig Comercial - empresa que sobra após a venda da parte operacional - não tiver fôlego financeiro para arcar o rombo no Aerus.ProjetosNo plano da Alvarez & Marsal, responsável pela implementação da recuperação judicial da Varig, a idéia é dividir a companhia em duas, uma voltada para o mercado doméstico, com ativos, avaliada em US$ 700 milhões e que seria vendida em leilão judicial. Uma segunda empresa seria dedicada à operação internacional e herdaria dívidas, algo em torno de R$ 9 bilhões.O plano da TGV, por sua vez, prevê a cisão das áreas operacional e comercial da Varig. A primeira ficaria livre de débitos, com valor de US$ 860 milhões, e a segunda herdaria o passivo e o acerto de contas entre as dívidas públicas da companhia e o que o governo deve à empresa por causa do congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90, basicamente a mesma quantia, em torno de R$ 4,5 bilhões. Tanto na proposta do TGV quanto na da Alvarez & Marsal está previsto um financiamento de US$ 100 milhões que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende desembolsar para o investidor interessado em comprar parte da Varig.Este texto foi atualizado ás 18h52, com inclusão de informações.

Agencia Estado,

09 de maio de 2006 | 16h06

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