Credores da OAS vão assumir participação de 24% na Invepar

Ativo foi oferecido em leilão que terminou sem interessados; fundos de pensão não exerceram direito de preferência

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2016 | 05h00

Os credores da OAS, grupo de engenharia em recuperação judicial e investigado pela Lava Jato, vão assumir a participação de 24,48% que a empresa detém na Invepar, companhia que é dona de concessões de rodovias e do aeroporto de Guarulhos.

A fatia na Invepar foi colocada à venda como parte do plano de recuperação judicial da OAS. O leilão, realizado em março, terminou sem oferta. Pelas regras estabelecidas no plano, o ativo iria para os credores. Os acionistas controladores da Invepar – os fundos de pensão Petros (da Petrobrás), Funcef (da Caixa Econômica Federal) e Previ (do Banco do Brasil) – poderiam exercer, nos 30 dias que sucederam o leilão, um direito de preferência para comprar as ações da OAS na Invepar. O prazo para eles se manifestarem sobre a questão se encerrou na última quarta-feira, de acordo com a OAS.

Dessa forma, a companhia informou que prosseguirá “o que está previsto no plano de recuperação judicial”. “As ações da OAS serão transferidas para a SPE Credores, organização societária a ser criada para assumir o controle da participação da fatia detida na Invepar. O prazo para essa transferência, conforme prevê o plano de recuperação, se encerra no próximo 31 de maio”, afirmou a OAS em comunicado.

Leilão fracassado. A OAS tinha um interessado na compra da sua fatia na Invepar, mas a venda não se concretizou. A gestora de recursos canadense Brookfield ofereceu, no ano passado, R$ 1,35 bilhão por 24,4% da Invepar, uma proposta que já tinha recebido o aval dos credores da OAS. A Brookfield, no entanto, retirou sua proposta da mesa em fevereiro, um mês antes da realização do leilão.

A Brookfield desistiu do negócio por não conseguir chegar a um acordo com os fundos de pensão que controlam a Invepar. A proposta dela estava condicionada à revisão do acordo de acionistas da Invepar para ampliar o poder de decisão da futura acionista, o que não foi feito pelos fundos de pensão.

Outras empresas chegaram a avaliar o ativo, mas desistiram do negócio pelo mesmo motivo, apurou o Estado. Os investidores não queriam ser acionistas minoritários de uma empresa controlada por fundos de pensão.[+]

Recuperação. O grupo OAS entrou em crise financeira após ser alvo da operação Lava Jato. O grupo apresentou em 31 de março do ano passado um pedido de recuperação judicial de nove de suas empresas à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

O plano de recuperação da empresa prevê a venda de ativos de áreas como óleo e gás, defesa e a participação no estádio do Grêmio para concentrar as atividades da companhia no segmento de construção civil. A fatia da OAS na Invepar é o ativo mais valioso à venda. / COLABOROU MARINA GAZZONI

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