Credores da Varig aprovam venda de ações à TAP

Os credores da Varig aprovaram nesta segunda, em assembléia, depois de mais de 12 horas de deliberações e reuniões, a venda de ações da VarigLog e Varig Engenharia e Manutenção (Vem), à estatal portuguesa de aviação TAP, por, no mínimo, US$ 62 milhões. A decisão final só foi obtida após intermediação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que conseguiu convencer parte dos credores a aceitar o plano. Os sindicatos do setor aéreo e o Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que reúne cinco associações de funcionários, abstiveram de seu voto por causa da falta de informações fornecidas. A TAP já constituiu uma empresa, no Brasil, para poder receber o financiamento do BNDES. Batizada de Aero-LB (de Luso-Brasileira) Investimentos S.A, integrada pela TAP, pelo fundo de investimentos GeoCapital, de Macau, que já tem participação na Air Macau, e por um investidor brasileiro cujo nome não foi divulgado. Essa subsidiária é que faria o investimento de US$ 20 milhões para comprar participação na VarigLog e Vem. O BNDES entraria com os US$ 42 milhões restantes e o dinheiro deve ser depositado nesta terça para ser repassado às empresas de leasing no dia seguinte. "A garantidora final dessa operação é a TAP", diz Fernando Pinto, presidente da TAP e ex-presidente da Varig. A GeoCapital pertence ao investidor Stanley Ho que, segundo a edição internacional da Revista Forbes, tem a 151ª maior fortuna do mundo, de US$ 3,6 bilhões e, dos 17 cassinos de Macau, ele é dono de 15. Tem ainda cassino em Lisboa. Ho tem 83 anos, é casado e tem 17 filhos. Segundo o jornal português Diário Económico, a GeoCapital foi constituída com capital social inicial de 10,2 milhões de euros. A assembléia Logo no início da assembléia, por volta das 11 horas, o gerente da área de mercado de capitais do BNDES, Renato Martins, disse que o BNDES mantinha sua proposta de financiar até dois terços dos recursos para a compra de ações da VarigLog e Vem, relatando que foram feitas "pequenas alterações para adaptar o plano à realidade do mercado". O presidente-executivo da Varig, Omar Carneiro da Cunha, apresentou vários pontos do plano. Modificações apresentadas não foram bem recebidas por parte dos credores. O Fundo de Investimentos e Participações (FIP) que seria criado para atrair recursos não será mais necessário, porque "o BNDES não participará como cotista, mas apenas como financiador das ações", disse Cunha, em sua apresentação, ao contrário do que havia sido divulgado pelo banco durante assembléia do dia 26 de outubro. O presidente da instituição, Guido Mantega, porém, sustenta que o BNDES jamais havia informado que seria cotista da Sociedade de Propósito Específico (SPE), que será criada para deter ações da VarigLog e Vem. "Essa proposta não tem o perfil do que foi apresentado na última assembléia. Saiu do escopo", disse pela manhã a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio. Segundo um representante de um importante credor da Varig, que pediu para não ser identificado, a sensação era a de que "o BNDES tirou o time de campo". Os empregados da Varig e sindicalistas do setor aéreo solicitaram de manhã que a votação do plano fosse adiada. Antes dos credores começarem a votar pelo adiamento da reunião, Cunha fez um apelo. "Pensem bem no que vocês estão votando. Nós vamos perder na quarta-feira 40 aviões. A companhia vai ficar inviável por causa do capricho de alguns", disse o executivo, referindo-se à audiência na corte de Nova York, na quarta-feira, que vai decidir o futuro de uma liminar que impede o arresto de aviões até o dia 11. Ontem de noite Cunha, dois técnicos do BNDES e advogados da Varig viajariam para Nova York. Segundo o executivo, tanto BNDES quanto TAP desistiriam da Varig caso a assembléia fosse adiada. "Quero saber como esses credores que querem o adiamento vão pagar o seu salário", acrescentou Cunha, dirigindo seu discurso aos empregados da companhia. A votação teve início, mas, instantes depois, no entanto, o BNDES pediu a suspensão do evento e representantes dos credores foram à sede da instituição participar de reunião para avaliar o plano da Varig. A votação foi retomada após essa reunião com o banco para votar pela aprovação do plano.

Agencia Estado,

08 Novembro 2005 | 00h04

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