Credores da Vasp aprovam plano de recuperação

Os credores da Vasp aprovaram nesta quarta-feira o plano de recuperação judicial da companhia aérea, durante assembléia na sede da empresa, em São Paulo, com a presença de cerca de 250 pessoas. O Banif liderará a reestruturação financeira da companhia e será o responsável pela criação dos Fundos de Investimentos e Participações (FIPs) da companhia. O plano prevê a separação da empresa em duas partes: uma operacional e outra para administrar os ativos e dívidas. Esses ativos serão reunidos nos FIPs. Os credores poderão trocar dívidas por cotas dos fundos.Um dos membros da comissão de interventores judiciais, Roberto de Castro, afirmou que a criação dos fundos será submetida à avaliação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pode ocorrer dentro de seis meses. Enquanto isso, segundo ele, as negociações com credores e com possíveis investidores continuarão. A Vasp conta com um passivo de aproximadamente R$ 5 bilhões.Nesta quarta, os interventores judiciais apresentaram uma proposta aos credores que foi bastante criticada durante a reunião, mas acabou sendo aprovada junto com o plano de recuperação. Os credores que não quiserem aderir aos FIPs receberão o dinheiro da Vasp no longo prazo e com um grande desconto.A proposta prevê um deságio de 65% no pagamento das dívidas que ficarem de fora do FIP. O pagamento terá cinco anos de carência, a contar da data de reinício das operações da empresa, e depois será feito em 10 anos. Os credores terão agora 30 dias para manifestar sua adesão à proposta do FIP ou à opção de pagamento com desconto.O advogado Domingos Refinetti, representante da credora Air France, votou contra a aprovação do plano. Segundo ele, a Vasp tem uma dívida de R$ 43 milhões com a companhia francesa e o plano de recuperação não dá garantias de que esses recursos serão pagos um dia. Os débitos se referem a serviços de manutenção de turbinas feitos pela Air France durante anos. Segundo Refinetti, a Vasp teria parado de funcionar muito tempo antes de janeiro de 2005 se a Air France tivesse se recusado a prosseguir os serviços por conta dos débitos.A Vasp paralisou suas operações em janeiro de 2005 e está sob intervenção judicial desde março do mesmo ano. O plano foi aprovado com modificações propostas pelas três classes de credores: trabalhistas, com garantia e quirografários (sem garantia).Este texto foi atualizado às 16h35.

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