Credores pedem afastamento de Bottini da reestruturação da Varig

Os credores da Varig, liderados pela Aerus, vão solicitar hoje à Justiça o afastamento do presidente da companhia, Marcelo Bottini, da gestão do processo de recuperação da empresa. O pedido será encaminhado à 8ª Vara Empresarial do Rio, que cuida do caso. O coordenador da TGV (Trabalhadores do Grupo Varig), Márcio Marsillac, explicou que Bottini não teve capacidade para implementar o plano judicial aprovado em dezembro. "A empresa precisa de uma solução, o caixa chegou ao seu limite. Se não for feito nada, a empresa pára já. A situação de paralisação da companhia hoje é uma realidade", afirmou Marsillac. O coordenador explicou que é preciso primeiro encontrar uma maneira de dar uma sobrevida à companhia para depois analisar as propostas que foram apresentadas, como a da VarigLog. A idéia dos credores é que Bottini seja substituído pela consultoria Alvarez & Marsal, que hoje já cuida do processo de reestruturação da empresa, mas não é o gestor interino da operação. Afastamento já estaria previsto O presidente da Varig explicou que o pedido dos credores já estava previsto no plano de recuperação judicial da empresa. Sua saída estava programada para ser feita poucos dias após a criação do Fundo de Investimentos em Participações (FIP) quando as ações da Fundação Ruben Berta fossem depositadas no fundo, que passaria a controlar a Varig. "Isso é bom, esse trabalho me tomava muito tempo", afirmou. Ele negou que haja qualquer divergência entre a atual administração da Varig e o seu principal credor, a Aerus. Bottini lembrou que ele é o atual presidente do conselho deliberativo da Aerus. "Sou a autoridade máxima dentro da Aerus", disse. Segundo ele, ao agilizar a troca, a companhia terá mais capacidade para resolver seu problema de fluxo de caixa. Apelos ao presidente Bottini descartou hoje qualquer risco de a companhia paralisar suas atividades no curto prazo. Contudo, informou já ter solicitado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, uma audiência para falar sobre o plano de recuperação e a atual situação financeira da empresa. Ele revelou que solicitou ao governo uma linha de crédito que permita adiar para o segundo semestre o pagamento aos principais fornecedores da companhia, entre eles Infraero e BR Distribuidora. Segundo ele, essa linha poderia dar um alívio na situação financeira da Varig até o final da chamada baixa temporada, época em que tradicionalmente as receitas da empresa aérea diminuem. Bottini admitiu ainda que o caixa da Varig é "bastante limitado", o que exige uma solução mais rápida para a crise financeira em que ela está envolvida. Ontem, a Infraero, estatal que administra os aeroportos brasileiros, deu um ultimato à Varig: se a companhia aérea não retomar os pagamentos diários das tarifas de operação nos aeroportos até o final desta semana, a estatal ameaça passar a cobrar os valores à vista nos aeroportos, no início de cada vôo da empresa. Com isso, várias rotas podem deixar de ser operadas e os clientes desses vôos poderão saber disso somente momentos antes da decolagem. A Varig deve R$ 116 milhões à Infraero. Proposta da VarigLog não é bem aceita Ontem, a companhia recebeu uma oferta da VarigLog, controlada por investidores brasileiros e o fundo americano Matlin Patterson. A oferta não foi bem recebida pela Aerus. O projeto de compra da Varig pela ex-subsidiária VarigLog prevê um forte enxugamento da companhia, com queda dos cerca de 11 mil empregados atuais para apenas 6 mil, redução da frota de 71 (54 deles voando atualmente) para 48 aviões e a criação de uma nova empresa, sem dívidas. A proposta não contempla solução para o pesado endividamento, que ficaria isolado numa outra empresa. Sindicatos de trabalhadores e o fundo de pensão Aerus já rejeitaram ontem o projeto. Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, porém, os cortes podem ser ainda maiores. Ela disse que a proposta prevê a criação de uma nova empresa com apenas 4,9 mil empregados. Segundo os aeroviários, restariam na empresa 770 pilotos, 1,85 mil comissários e 2,25 mil empregados em terra.Na Varig, já há vários programas de desligamento incentivados, não quantificados ainda. O presidente do Aerus, Odilon Junqueira, disse que o projeto deixa o fundo de pensão "no deserto", porque não reconhece a dívida acumulada. Segundo ele, "é consenso que os outros credores não devem aceitar". "Há um oportunismo grande na proposta. Querem ganhar dinheiro, comprar na bacia das almas", chegou a comentar o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Gelson Fochesato.

Agencia Estado,

05 Abril 2006 | 13h03

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