Credores têm esboço de acordo para a Grécia

Diferenças entre autoridades europeias e FMI foram atenuadas, mas é pouco provável que gregos consigam pagar dívida que vence sexta-feira

O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2015 | 02h07

ATENAS - Os credores internacionais da Grécia chegaram a um consenso sobre os termos de uma proposta de acordo para apresentar ao governo grego, afirmaram fontes. De acordo com elas, representantes de instituições europeias e do Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram na manhã de ontem ao esboço de um acordo para liberar mais ajuda financeira para o país, depois de líderes europeus terem se reunido na noite de segunda-feira em Berlim para superar divergências.

As autoridades concordaram em pressionar a Grécia a implementar amplas reformas econômicas, enquanto o FMI abrandou a insistência de que a Europa se comprometa a aliviar parte do ônus da dívida grega. No entanto, a parte principal da dívida do país ainda é uma questão controversa entre os credores, especialmente a Alemanha.

Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, alertou na reunião de segunda-feira que uma reestruturação da dívida grega se tornará necessária se o país não adotar reformas para melhorar seu balanço orçamentário e impulsionar o crescimento econômico, disseram as fontes. De todo modo, a reunião promovida por Angela Merkel, chanceler da Alemanha, parece ter reduzido as diferenças entre os europeus e o FMI.

A proposta deve ser apresentada ao governo grego em breve. O primeiro-ministro do país, Alexis Tsipras, provavelmente enfrentará demandas políticas explosivas por reformas no sistema de pensão, nas leis trabalhistas e em outras áreas, bem como a insistência dos credores sobre dolorosas medidas para garantir que a Grécia tenha superávit fiscal.

Muitas autoridades europeias estão relutantes em apresentar a proposta a Tsipras como um ultimato, mas alguns admitem que o premiê grego deixará pouco espaço para mais negociação. Parlamentares do partido do governo, o Syriza, ameaçaram rejeitar qualquer acordo com os credores que imponha novas medidas de austeridade.

Tsipras afirmou ontem que seu governo apresentou na noite de segunda-feira um plano "abrangente" para as três instituições que supervisionam o programa de resgate do país. Ele estava confiante de que o plano seria aceito. Mas os credores consideraram as reformas insuficientes. "Foram registrados avanços, porém, insuficientes", declarou o presidente do Eurogrupo e ministro de Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem, em entrevista à rede de televisão privada holandesa RTL. Segundo ele, "não é nem teoricamente possível" que os credores da Grécia retomem o apoio ao país esta semana enquanto as discussões sobre as reformas econômicas estão em curso. "Mesmo se as instituições na Grécia cheguem a um acordo nesta semana, ele teria de passar pelo Eurogrupo." / Agência Internacionais

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