Cresce a desconfiança do setor de varejo

A pesquisa da Fecomercio-SP divulgada no início desta semana é a mais recente evidência do baixo grau de confiança dos empresários do varejo no comportamento do setor. Com queda de 6,2% entre março e abril e de 22,1% em relação a abril do ano passado, o índice de confiança caiu para apenas 84,9 pontos, o menor da série iniciada em 2011. Podendo oscilar de zero a 200 pontos, o indicador de abril mostra a predominância do sentimento negativo.

O Estado de S. Paulo

21 Maio 2015 | 03h00

O levantamento reflete o enfraquecimento da demanda, visível não apenas na frequência aos shopping centers e às lojas de rua, mas no aumento do número de placas de vende-se, aluga-se ou passa-se o ponto. Sem a receita esperada, empresários tentam deslocar seus estabelecimentos para espaços menores e reduzem o pessoal contratado. Em restaurantes onde as filas se acumulavam nos fins de semana tornou-se mais fácil conseguir mesa até em datas simbólicas para o comércio, como o Dia das Mães.

É o que mostra a avaliação das condições atuais do comércio, cujo indicador, segundo a Fecomercio-SP, chegou a apenas 49 pontos, abaixo do ponto médio do patamar negativo. Ao constatar a fraqueza das vendas, o empresário corta as encomendas e posterga os investimentos, que acusaram retração mensal de 5%, registrando 81,1 pontos.

Mas a memória de políticas antigas ou a esperança de que a recuperação poderá ser mais rápida do que se antevê hoje levaram o indicador de expectativas a 124,7 pontos, dentro da faixa positiva, com queda mensal de “apenas” 4,9%.

Um aspecto da pesquisa particularmente importante é a generalização do pessimismo. A desconfiança alcança empresas de grande porte, com mais de 50 empregados (85,9 pontos em abril), e as menores, com até 50 empregados (84,9 pontos). Até o ano passado, na maioria dos levantamentos as companhias maiores, com mais capital e mais acesso ao crédito, declaravam-se mais otimistas.

Baseada em 600 entrevistas com empresários que atuam na capital e, em parte, também na região metropolitana de São Paulo, a pesquisa da Fecomercio-SP reflete o fato de que as perspectivas para o emprego já não são favoráveis. A incerteza atinge empresas e trabalhadores, que dependem de emprego e da preservação da renda real para tomar a decisão de consumir. Daí a percepção dos empresários ser “muito pior do que o esperado”, segundo a pesquisa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.