Cresce a inadimplência em condomínios do RJ e SP

A inadimplência no pagamento das taxas de condomínio nos dois principais mercados do País disparou neste ano. Em São Paulo, a taxa passou de 7% em janeiro para 33% em junho, segundo pesquisa da Associação das Administradoras de Bens Imóveis de São Paulo (AABIC). No mercado carioca, a pesquisa mais recente demonstra que o índice atingiu 7,2% em abril, o maior nível desde janeiro, quando o indicador registrou 6,1%. O setor atribuiu o aumento da inadimplência à redução, de 20% para 2%, da multa pelo atraso no pagamento do condomínio implementada pelo Novo Código Civil. A idéia é que, como outras contas apresentam multas maiores por atraso de pagamento, o cidadão prioriza outros débitos. Na tentativa de evitar o crescimento da inadimplência neste mercado, foi encaminhado nesta semana ao Congresso Nacional, por meio do deputado Ricardo Izar, Projeto de Lei (PL) alterando a redação do artigo 1336 do novo Código Civil, que reduziu a multa por atraso do pagamento das despesas condominiais. Pela proposta da AABIC, o condômino que não pagar sua contribuição mensal ficará sujeito aos juros moratórios de 1% ao mês e multa de 0,33% ao dia, até o limite de 10% sobre o débito, acrescido de correção monetária. O texto do PL foi elaborado pelo professor Carlos Dabus Maluf, co-autor do "Novo Código Civil Comentado", em conjunto com o diretor-jurídico da AABIC, Rubens Carmo Elias Filho. O objetivo da multa é desestimular a inadimplência condominial e garantir o equilíbrio da caixa dos condomínios. Segundo o presidente da AABIC, Claudio Felippe Anauate, a expectativa é de que a mudança possa ser aprovada no prazo de um ano. Ações judiciais Para o presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis (Abadi), Cesar Thomé Júnior, "a única solução para reduzir a inadimplência no curto prazo é torná-la incômoda" para o condômino. Ele informa que a organização recomenda aos síndicos que, em último caso, movam ações judiciais contra o inadimplente. "Muitos prédios adotam a prática nas atas das reuniões", afirma. Marketing A saída encontrada pela administradora carioca Apsa para driblar a alta da inadimplência de curto prazo é intensificar as campanhas de marketing, estimulando as vantagens de "bom pagador" e reduzindo os prazos de pagamento para cobrança mais efetiva. Segundo o gerente da área de condomínios da Apsa, Washington Rodrigues, a Apsa registra dois tipos de taxa de inadimplência: a efetiva e a de curto prazo. A efetiva é a que registra a inadimplência após ter passado o mês de pagamento do condomínio. A de curto prazo refere-se à conta que não é paga no início do mês, mas apenas no final do mês ou seja, fora do prazo de vencimento da conta, que normalmente vencem entre os dias 5 e 10 de cada mês. A empresa registrou uma taxa média de inadimplência de curto prazo de 10% em junho e 11% em julho, em um universo de 61 mil unidades. A taxa média de inadimplência efetiva registrada pela Apsa, nas unidades do Rio de Janeiro, oscila de 7% a 8% nos prédios de pequeno e médio porte. Um porcentual também relativamente alto, segundo Rodrigues.

Agencia Estado,

31 Julho 2003 | 14h01

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.