Cresce ansiedade nos mercados

O mercado, que previa que o pacote econômico argentino saísse no início dessa semana, vê o atraso com preocupação. O anúncio só deve ocorrer na semana que vem, devido às aparentes dificuldades políticas que o governo do presidente Fernando De la Rúa enfrenta e às complicadas negociações sobre a troca da dívida externa. O governo não quer dar o calote, que traria sérias conseqüências para o país, inclusive para o Brasil, mas não há muitas alternativas.O que o mercado já esperava era um novo corte de salários do funcionalismo de 13% e cancelamento do pagamento do décimo terceiro salário. As aposentadorias deveriam sofrer cortes de 20%. Também deve ser anunciada a renegociação de parte da dívida interna, de até US$ 15 bilhões. Mas os pontos que geram mais controvérsia são a diminuição dos repasses às províncias, que enfrentam resistência política, em troca da renegociação das dívidas provinciais, e a renegociação da dívida externa. Esses são dois pontos importantes que estão tirando o sono dos investidores.Quanto à reestruturação da dívida externa, o governo quer evitar a moratória unilateral, mas precisa desesperadamente reduzir os gastos com juros. Para fazer uma troca voluntária de títulos a taxas significativamente menores, já conta com US$ 8 bilhões de organismos multilaterais para oferecer como garantia da operação. Mas a agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating (nota de avaliação) da dívida argentina, alertando que, para evitar prejuízos para os credores - leia-se calote -, seriam necessários mais US$ 10 a US$ 26 bilhões em garantias. A agência Standard and Poor´s também declarou que qualquer renegociação que implique em prejuízos para os credores causará um rebaixamento do rating do país e a Moody´s poderá tomar a mesma atitude, dependendo dos resultados da troca de títulos da dívida. Nos Estados Unidos, além da recessão que se inicia, o sentimento dos mercados agravou-se essa semana com a proliferação de casos de ataques bioterroristas e a escalada das tensões no Oriente Médio. As bolsas, que vinham em recuperação, pararam de subir, e a possibilidade de agravamento dos conflitos militares na Ásia e de novas ações terroristas contra os EUA parece maior.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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