Cresce aposta do mercado de PIB abaixo de 2%

Parte dos analistas revisou suas projeções para o PIB de 1% a 1,9%, por causa da crise europeia e do fraco desempenho da economia no início do ano

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS , MARIA REGINA SILVA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h03

Para a insatisfação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que na semana passada reagiu com vigor a uma projeção de crescimento de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, começa a ganhar corpo no mercado um grupo de analistas que prevê expansão da economia abaixo de 2%. As expectativas vão de 1% a 1,9%.

O Ministério da Fazenda insiste em afirmar que a economia crescerá 4% em 2012 e que a atividade deslanchará no segundo semestre. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem recorrido às projeções da Pesquisa Focus, com as quais diz estar de acordo, para mostrar que a economia chegará ao quarto trimestre crescendo 4% em termos anualizados.

Por trás das projeções entre 1% e 1,9%, está a descrença dos economistas em relação a uma eventual melhora do cenário econômico mundial.

Em entrevista à Agência Estado, o ex-secretário de Política Econômica e sócio da MB Consultores José Roberto Mendonça de Barros, disse que sua expectativa de crescimento neste ano está entre 1,5% e 2%. Mas como ele diz acreditar que a crise na Europa tende a piorar, não será uma surpresa para ele se o PIB avançar apenas 1%.

Alvo da reação de Mantega, que classificou a projeção de "piada", a equipe do Credit Suisse revisou sua estimativa de PIB para 1,5% em relação à projeção anterior de 2%. "Essa revisão deve-se à redução da produção industrial em abril, à nossa expectativa de nova contração da atividade em maio e às nossas projeções para os demais setores", afirmou, em relatório, a equipe do Credit Suisse.

Estatística. No BBM Investimentos, a expectativa é de que o PIB apresente expansão de 1,70% em 2012, inferior ao crescimento de 2,70% em 2011. Segundo o economista da instituição Hui Lok Sin, além da desaceleração natural da economia, há questões técnicas que justificariam a queda.

"Existe um 'problema' estatístico que é o fato de o PIB ter crescido muito pouco ao longo de 2011. Como o PIB voltou a apresentar fraco desempenho no primeiro trimestre de 2012, a situação se agravou", avaliou. Para Lok Sin, como os primeiros dados do segundo trimestre não sugerem uma retomada forte da atividade, um aumento mais expressivo do PIB em 2012 ficou "meio comprometido".

Na Tendências, o baixo crescimento de 0,20% do PIB no primeiro trimestre foi um dos motivos para a alteração na previsão do crescimento de 2012, agora em 1,90%. Antes era de 2,50%.

Na SulAmérica Investimentos, o economista-chefe Newton Camargo Rosa também trabalha com previsão de 1,9% Flávio Serrano, economista sênior do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), diz manter ainda em suas planilhas previsão de 2,2%, mas com viés de baixa.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento nulo em abril ante março e alta de 0,6% na comparação com abril do ano passado, de acordo com o Indicador de Atividade Econômica, divulgado ontem pela Serasa Experian. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o índice avançou 0,8%. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 1,7% ante o mesmo período de 2011, taxa menor que a verificada em março, de 1,9%, na mesma base de comparação./ WLADIMIR D'ANDRADE

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