Cresce atividade da indústria de São Paulo

O crescimento de 1,2% no Indicador do Nível de Atividade (INA) em janeiro deste ano, frente a dezembro do ano passado, divulgado nesta quinta-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), se deve ao maior volume de encomendas do varejo para a indústria, em virtude da recomposição de estoques. A análise é da diretora de pesquisas e estudos econômicos da entidade, Clarice Messer. "Não foi um aumento grande porque a recomposição de estoques também não foi tão grande assim", afirmou. O crescimento se deve mais ao fato de a base comparativa de dezembro ser pequena. Isso fica melhor demonstrado, segundo ela, quando se analisa o indicador na comparação entre janeiro deste ano e o mesmo mês de 2001, que aponta queda de 5,7% no nível de atividade. "Estamos em uma economia enfraquecida em relação ao ambiente com que lidamos no mesmo mês do ano passado", disse Clarice."Tanto é que as vendas melhoraram bem e a produção, não", analisou. As vendas reais - vendas nominais descontada a inflação - cresceram 3,9% em janeiro ante janeiro de 2001, enquanto que as horas trabalhadas na produção caíram 1,5% no mesmo intervalo de comparação. Capacidade instaladaO nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação paulista cresceu 2,7 pontos porcentuais em janeiro em relação a dezembro do ano passado, tendo passado de 76,4% para 79,1%, segundo a Fiesp. Apesar disso, em relação a janeiro do ano passado, quando a utilização estava em 80,6%, houve queda de 1,5 ponto porcentual.Segundo Clarice Messer, o aumento de janeiro frente a dezembro mostra recuperação leve, porém gradual, da indústria paulista neste início de ano. O setor de material elétrico e de comunicações é o que está com o menor nível de utilização da capacidade instalada: 68,4% em janeiro. O setor de mobiliário teve a segunda menor utilização, com 75,8%. Já o setor que mais fez uso de seus recursos foi o de papel e papelão, com 89,4%. Bens duráveisNa avaliação de Clarice Messer, a demanda por bens duráveis está crescendo no Estado de São Paulo no início do ano. "Foi uma coisa que percebemos analisando os números de janeiro da indústria. Não dá para separarmos os números ou os setores, mas a recuperação, ainda que pequena, é nítida", explicou. Segundo ela, esse aumento da demanda por bens duráveis detectado em janeiro não acontecia havia vários meses."E é um sinal independente da queda nos juros", afirmou. Na opinião de Messer, há um bom espaço para que o comércio reduza os juros e aumente o crédito ao consumidor. "Ainda mais que o BC iniciou a queda da Selic (de 19% ao ano para 18,75% na reunião de fevereiro)", disse. Se esse aumento de demanda continuar, a indústria paulista pode crescer 2,5% ou mais em 2002. Em 2001, a indústria de São Paulo cresceu 2,5% frente a 2000.

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