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Cresce calote em dívidas de até 90 dias

Para o Banco Central, movimento pode ser consequência do aumento das taxas de juros e das medidas do governo para conter expansão do crédito

Edna Simão e Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

Os brasileiros estão atrasando cada vez mais o pagamento de empréstimos bancários com vencimento de até 90 dias. Na avaliação do Banco Central (BC), esse movimento pode levar a um possível aumento da inadimplência das famílias nos próximos meses.

Dados divulgados ontem pela autoridade monetária mostram que os atrasos de até 90 dias no pagamento de dívidas (que é considerado um indicador antecedente da inadimplência) de pessoa física teve um crescimento de 1,2 ponto porcentual neste ano, atingindo 6,5% em março.

A taxa de calote (atrasos acima de 90 dias) da pessoa física, no entanto, subiu bem menos (0,2 ponto porcentual), para 5,9%.

"Isso é um indicativo de que poderá haver um aumento discreto na inadimplência. Nada que preocupe por causa do ambiente (favorável) da renda e do emprego", explicou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel.

Segundo o chefe de departamento do BC, o aumento da taxa de juros básica no País, assim como as medidas macroprudenciais para conter o crescimento do crédito, encarece os empréstimos, que passam a comprometer uma parcela maior do orçamento do trabalhador. Isso tende a provocar atrasos e calotes.

Em março, a taxa média de juros cobrados nos empréstimos bancários para pessoa física saltou 1,2 ponto porcentual de fevereiro para março, atingindo 45% ao ano - valor mais alto desde junho de 2009 (45,6% ao ano). O cheque especial continua sendo a modalidade de crédito mais cara. No mês passado, o juro desse financiamento foi de 174, 6% ao ano, a maior taxa desde dezembro de 2008.

Prévia do resultado de abril (até o dia 12), divulgada pelo BC, aponta continuidade do aumento dos juros ao consumidor final. A taxa média do crédito livre teve alta de 1 ponto porcentual na comparação com março, atingindo 40,1% ao ano.

O aumento foi concentrado na taxa cobrada da pessoa física, que nos primeiros dias do mês subiu 2,1 ponto porcentual, para 47,1% ao ano.

Prazo menor. Apesar de a média ainda apontar estabilidade nos prazos das operações de crédito, Maciel reforçou que, além do aumento dos juros dos empréstimos bancários, já está sendo identificado um encurtamento dos prazos das operações mais atingidas pelas medidas de restrição adotadas pelo governo desde o início do ano.

Ele informou que uma pesquisa feita pelo BC com uma amostra restrita de bancos aponta que o prazo médio de concessão de um financiamento de veículos recuou de 43 dias em novembro do ano passado - ou seja, antes da adoção de medidas macroprudenciais - para 37 dias. Já no caso do crédito pessoal houve uma redução de 66 para 49 dias.

Mas, pelo menos por enquanto, esse efeito ainda não foi verificado, de forma significativa, nos números consolidados. O prazo médio de operações das pessoas físicas e jurídicas ficou em 474 dias em março, o que mostra praticamente uma estabilidade no mês. Considerando apenas a pessoa física, esse prazo totalizou em 566 dias em março, com leve alta sobre os 563 dias de fevereiro.

De qualquer forma, a relativa estabilidade nos números gerais de prazo médio é um indício do impacto das medidas macroprudenciais do governo, já que esse indicador vinha subindo mais fortemente antes dessas ações. Para se ter uma ideia, o prazo médio do crédito livre em 12 meses terminados em março ainda tem alta de 50 dias.

Empréstimos

1,2 ponto

porcentual foi o quanto cresceu a inadimplência no pagamento de dívidas de até 90 dias em março

0,2 ponto

porcentual foi o quanto cresceu a inadimplência no pagamento de dívidas de mais de 90 dias

45%

é a taxa média anual de juros em empréstimos bancários

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