Cresce concessão de crédito com desconto em folha

As operações de crédito bancário com desconto em folha tiveram um crescimento de 8% em maio em relação a abril, mantendo a tendência de aumento desde janeiro, quando passou a ser computada pelo Banco Central. Desde então, o volume desse tipo de empréstimo já cresceu 32%, segundo dados divulgados hoje pelo chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. Os números se referem a um universo de 10 bancos, que respondem por cerca de 75% das operações de crédito pessoal.O chefe do Depec destacou o fato de o custo do crédito em consignação (com desconto em folha) ser menor que o do crédito pessoal. ?Os juros do crédito pessoal eram de 72% em maio e os do crédito em consignação estavam em 39% ao ano?, disse. A redução do custo é explicada porque a garantia é o próprio salário do tomador do empréstimo. Os números recebidos pelo BC indicam que mais 60% das pessoas que fazem empréstimos em consignação são servidores públicos.Os empréstimos com desconto em folha já começam a provocar uma migração das operações de crédito com cheque especial. ?A taxa de juros do cheque especial é de aproximadamente 140% ao ano e a do empréstimo em consignação está em 39%?, disse. Em maio, os juros cobrados pelo cheque especial tiveram um pequeno aumento, passando de 140,2% em abril para 140,5%. Isso interrompe uma sequência de queda de 13 meses consecutivos. Já as taxas cobradas das operações de crédito pessoal continuaram caindo pelo 14º mês seguido, passando de 75,3% em abril para 72,7%. InadimplênciaOs dados de inadimplência das operações de crédito das pessoas físicas também têm sido afetados pelos empréstimos com desconto em folha. Com isso, a taxa de inadimplência recuou em maio em relação a abril de 13,4% para 13%, menor porcentual desde os 12,4% de junho de 2001. Os empréstimos em consignação ainda ajudaram a reduzir o spread (diferencial entre o custo de captação de recursos e sua aplicação em operações de crédito) dos empréstimos bancários às pessoas físicas de 47,9 para 45,2 pontos porcentuais.Ao todo, o volume de crédito no País cresceu 3,6% em maio passando de R$ 239,8 bilhões para R$ 248,4 bilhões. Os empréstimos para pessoas jurídicas subiram de R$ 143,9 bilhões para R$ 150 bilhões (mais 4,3%) e para pessoas físicas passou de R$ 96 bilhões para R$ 98,3 bilhões (mais 2,5%). Esse volume de recursos é o maior (em termos nominais, sem correção) já contabilizado pelo BC.

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