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Cresce expectativa de que bancos da Espanha precisarão de mais reforços

Bancos espanhóis passam por processo de reestruturação, como consequência dos problemas criados pelo estouro da bolha imobiliária em 2008 e agravados pela crise de dívida

Daniela Milanese, da Agência Estado,

18 de abril de 2012 | 16h42

Cresce a perspectiva de que os bancos da Espanha precisarão de mais reforços. A necessidade de capital, os créditos duvidosos e a exposição ao risco soberano estimulada pela estratégia do Banco Central Europeu ampliaram a expectativa de que o país terá de receber recursos do mecanismo de resgate para ajustar as instituições financeiras. Os bancos espanhóis vêm passando por um longo processo de reestruturação, como consequência dos problemas criados pelo estouro da bolha imobiliária em 2008 e agravados pela crise de dívida soberana.

Segundo o banco central do país, entre janeiro de 2008 e junho de 2011, as instituições já fizeram uma faxina de balanços equivalente a € 105 bilhões. Depois de várias medidas adotadas para fortalecer o sistema financeiro, em fevereiro deste ano o governo espanhol decidiu aumentar as exigências de provisões e capital, com o objetivo de limpar os balanços da exposição ao setor imobiliário.

Na época, estimava-se que esse esforço adicional somaria € 50 bilhões (ou 5% do PIB), sendo € 25 bilhões de provisões específicas, € 10 bilhões de provisões gerais e € 15 bilhões de reforço de capital. Portanto, desde o início do processo, o ajuste somaria € 155 bilhões, o equivalente a 15% do PIB espanhol.

Só que, ontem à noite, o Banco Central da Espanha anunciou necessidade extra de provisões (mais € 29,08 bilhões) e de capital (€ 15,57 bilhões) neste ano. Na avaliação do Barclays Capital, isso significa que o impacto dos ajustes em 2012 subirá de € 50 bilhões para € 54 bilhões.

Também é preciso cumprir as novas regras da zona do euro, que impõem a necessidade de atingir índice de capital de maior qualidade (tier 1) de 9% até junho deste ano. A venda de ativos tem sido usada como estratégia, pois o preço baixo das ações no mercado inviabiliza novas emissões. O Santander, por exemplo, se desfez de ativos na América Latina.

Há outros motivos para preocupação. O índice de preços dos imóveis caiu 7,2% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, na maior queda desde o terceiro trimestre de 2009. Isso pode representar mais perdas para o setor bancário. A proporção de empréstimos duvidosos dos bancos espanhóis atingiu em fevereiro 8,16%, o maior nível em 18 anos.

Os problemas atuais dos bancos na Espanha não se limitam ao elo com o setor imobiliário. Apesar de ter provocado alívio no curto prazo, as operações de refinanciamento do Banco Central Europeu elevaram a exposição dos bancos espanhóis ao risco soberano. O BCE ofereceu € 1 trilhão em empréstimos de três anos, a juros baixos, ao sistema financeiro do bloco entre dezembro e fevereiro. Os bancos espanhóis foram os que mais tomaram recursos da autoridade monetária.

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