Cresce financiamento de carros novos

As facilidades de financiamento para compra de carros novos estão levando uma parcela de consumidores de veículos usados a optar pelo zero quilômetro. Enquanto a participação das compras financiadas nos negócios com carros usados caiu de 74% para 67% de fevereiro para março, o porcentual de financiamentos na comercialização de carros novos aumentou de 76% para 78% no período. Os dados foram divulgados pelo Sindicato do Comércio Varejista de Veículos Automotores Usados de São Paulo (Sindiauto) e pela Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef). No primeiro trimestre do ano, enquanto as vendas de veículos novos das concessionárias para os consumidores cresceram 32% no varejo, o volume comercializado de carros usados permaneceu estável em relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidas 405 mil unidades de veículos zero quilômetro, ante 194 mil carros usados. Bancos de montadoras oferecem promoçõesPara atrair os consumidores, os bancos ligados às montadoras oferecem promoções como juros mais baixos, prazos mais longos, entrada facilitada, feirões, entre outras. Além disso, enquanto as taxas para financiamento dos bancos das montadoras giram em torno de 1,99% ao mês, os juros para compra de usados subiram para 2,7% em março, um aumento de 0,5 ponto porcentual. "Pessoas de renda menor estão tendo acesso à compra de carros novos, preferindo pagar um pouco mais por eles", afirma o diretor executivo Anef, José Romélio Brasil Ribeiro. Ele destaca que apenas 10% dos negócios realizados pelos bancos de montadoras referem-se a veículos usados. Ribeiro ressalva, porém, que há uma tendência cíclica no mercado. "Um período favorável de vendas de veículos novos geralmente é seguido por um movimento de boas vendas também no segmento de usados", salienta. Um dos fatores que explica o fenômeno é o fato de que o carro usado, muitas vezes, entra como parte de pagamento no financiamento do zero quilômetro. O presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado de São Paulo (Assovesp), George Chahade, admite que os bancos de montadoras têm maior poder de barganha com o consumidor. Ele observa, entretanto, que as diferenças de tratamento aos consumidores de veículos novos e usados foram minimizadas nos últimos meses. "Houve época em que não havia essa isonomia", lembra.

Agencia Estado,

16 de abril de 2001 | 16h03

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