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Cresce instabilidade do Ibovespa

A oscilação do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) até abril de 2001 ainda está na média dos últimos dois anos. Mas as variações vêm crescendo mês a mês e já se aproximam no chamado teto de um período considerado instável pelos analistas: o iniciado em 1999."A oscilação é um índice que mostra a incerteza dos investidores com relação ao rumo da Bolsa", explicou o diretor de renda variável do ABN Amro Asset Management, Alexandre Póvoa. Ele lembrou que períodos de altas ou quedas seguidas do Ibovespa se traduzem em oscilação baixa. Quanto maior o sobe e desce do mercado, maior a instabilidade.Segundo pesquisa da Economática (www.economatica.com.br), a oscilação média do Ibovespa entre fevereiro de 1999 e 23 de abril deste ano é de 0,32. Em 1999, o indicador ficou em 0,30, passando para 0,33 em 2000 e nos primeiros quatro meses de 2001.No mês passado, o cálculo mostra uma oscilação já na casa dos 0,41, índice que se aproxima do pico verificado em março de 1999, de 0,45. Janeiro de 99 foi retirado da amostra para que não houvesse distorções. A oscilação naquele período foi enorme, de 1,25, ditada pela desvalorização do câmbio.Argentina, Estados Unidos e política brasileira Para analistas, a falta de rumo do mercado pode ser explicada por três principais fatores de preocupação. Os rumos da economia argentina lideram a lista, seguidos pelas incertezas do cenário norte-americano e pela própria política brasileira. "Os fundamentos mostram uma Bovespa barata. Ninguém se aventura a comprar nessa situação", disse Póvoa.Segundo o responsável pela área de gestão do Asset Management do Dresdner Bank, Luiz Neves, a oscilação dos juros também deveria ser incluída nesse grupo. "A oscilação mais expressiva se encontra nas taxas de juros que, por sua vez, acabam guiando a Bolsa." Na opinião do vice-diretor do Banco Brascan, Ricardo Mattei, o Ibovespa está atingindo um novo patamar de instabilidade, que deve perdurar daqui pra frente. "A movimentação de capitais na economia é mais rápida, há mais informações que puxam as cotações das ações." Outro fator que, diz ele, contribui para a sustentação do novo nível é a entrada de mais empresas da chamada nova economia no mercado global. "São empresas que precisam de exercícios de ´futurologia´ para a cotação de seus papéis."Para Póvoa, do ABN, o primeiro semestre deve "continuar travado" em função dos fatores macroeconômicos e políticos. A partir de julho, acredita, o cenário deve começar a oferecer indícios melhores para previsões. Isso, caso as situações argentina e norte-americana caminhem na direção do esperado pelo mercado e ocorra uma redução nas taxas de juros.

Agencia Estado,

09 de maio de 2001 | 13h14

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