Cresce intenção de compra de bens duráveis no 1º trimestre

De acordo com pesquisa realizada pelo Programa de Administração de Varejo (Provar), que ouviu 500 pessoas entre os dias 10 e 17 de janeiro na cidade de São Paulo, 40,8% da população não pretende comprar bens duráveis no primeiro trimestre deste ano, contra porcentual de 56,1% registrado em igual período de 2004. Essa melhora se explica, segundo os técnicos da instituição, pelo melhor desempenho da economia nos últimos meses do ano passado, o que se reflete em uma expectativa de compra melhor nos meses subseqüentes."Vale lembrar que o resultado elevado do primeiro trimestre de 2004 refletiu o pessimismo vindo do fim de 2003, quando houve queda de renda e aumento de desemprego", explica o coordenador de Cursos, Pesquisas e Consultoria da Fundação Instituto de Administração (FIA), da qual pertence o Provar, Luiz Fávero. "A pesquisa de intenção de compra de 2005, em contrapartida, mostra o otimismo comum aos brasileiros depois de um ano muito bom."Segundo o levantamento, 12,8% da população pretende comprar eletroeletrônicos de janeiro a março deste ano, bem durável que apresentou a maior intenção de compras entre os que fazem parte do levantamento. No primeiro trimestre de 2004, esta categoria apresentava uma intenção de compra de 6,9%, o que denota uma variação de 85,51%.Os automóveis, em contrapartida, apresentaram a maior variação entre a intenção de compra do primeiro trimestre de 2004 com o de 2005 (957,14%). Segundo Fávero, esse alto porcentual se explica pelo fato de a base de comparação ser muito baixa. O pesquisador destaca que, de janeiro a março do ano passado, a intenção de comprar automóveis era comum a 0,7% da população, número que, no primeiro trimestre deste ano, saltou para 7,4%, sendo que há uma margem de erro de 5% para mais ou menos.Outra categoria de bens duráveis que apresentou aumento considerável na intenção de compra foram as autopeças, com 500%, se comparados o primeiro trimestre de 2004 com o de 2005, quando a intenção de comprar esse tipo de produto é comum a 4,2% dos paulistanos. Por outro lado, houve redução na intenção de compra para a linha branca (-25,45%) e cama, mesa e banho (-47,46%).Renda mais baixa tem maior intenção de comprarA pesquisa identificou ainda que o chamado Grupo 1, que reúne consumidores cuja renda familiar média mensal é de R$ 390, responde pela maior intenção de compra de seis categorias (linha branca, móveis, eletroeletrônicos, material de construção, cama, mesa e banho e autopeças). O Grupo 5, em contrapartida, que reúne aqueles de maior poder aquisitivo, com renda média familiar de R$ 6,9 mil, apresenta a menor intenção de compra por grupo para sete segmentos (linha branca, móveis, eletroeletrônicos, material de construção, informática, foto e ótica, cama, mesa e banho)."Essa maior intenção de compra registrada entre as camadas de menor renda se explica pela maior ausência de bens duráveis entre estes consumidores, que têm maior elasticidade de consumo por disporem de menos dinheiro para gastar", explica Fávero. Interesse pelo créditoEmbora a pesquisa tenha identificado uma queda na intenção do uso do crediário no primeiro trimestre deste ano, seja em relação aos primeiros três meses ou aos três últimos meses de 2004, o levantamento identificou que os consumidores do Grupo 1 são os que mais pretendem utilizar esse recurso, justamente por conta dessa intenção de gastar mais do que dispõem.

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