Cresce interesse de pessoa física por ações

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem promovendo uma série de iniciativas para atrair o interesse de pessoas físicas. Os resultados já aparecem. Nesse ano, até o mês de agosto, 27,4% dos negócios foram feitos por investidores pessoa física. Essa é a maior porcentagem de participação de investidores com esse perfil desde 1994. No ano passado, quando o interesse desses investidores já vinha aumentando, chegou a 20,5% (veja abaixo os dados de cada ano, desde 1994)."É crescente a entrada de pessoas físicas no mercado de ações. Além do trabalho da Bolsa para estimular o interesse de pessoas físicas, também o preço muito baixo das ações e a utilização desse mercado como alternativa de investimento de médio e longo prazo são justificativas para esse movimento", afirma o diretor da Coinvalores Corretora, Paulino Botelho.Há analistas que vêem, além desses motivos, o uso do mercado de ações como uma forma de aplicação em ativos reais. Segundo eles, assim como a compra de imóveis é intensificada em períodos de incerteza, também alguns investidores com perfil mais agressivo e que buscam a diversificação de investimentos direcionam parte dos recursos para o mercado acionário.Botelho destaca que o tipo de ação comprado pelo investidor demonstra que o mercado acionário de fato tem sido usado por investidores inseguros em relação à condução da política econômica no próximo governo. "Papéis de empresas exportadoras são os mais procurados. Isso porque, em períodos de incerteza, o dólar é muito pressionado. Com essas companhias têm receita em dólar, essa é uma situação que as beneficia", explica Botelho.O diretor da área de pesquisa da Planner Corretora de Valores, Luiz Antonio Vaz das Neves, também detectou um aumento no interesse de pessoas físicas. Segundo ele, boa parte desses investidores são pessoas que estavam no mercado acionário e saíram. "Com o preço dos papéis em patamares muito baixos, esses investidores voltam comprando as melhores oportunidades. Esse é um movimento comum", afirma. Iniciativas da BolsaDe qualquer forma, Neves destaca que todas as iniciativas da Bolsa para a promoção do mercado acionário têm contribuído para o interesse maior de pessoas físicas pela compra de ações. Entre as iniciativas, destaca-se o programa "Bovespa vai até você", que incentiva a formação de clubes de investimento, e o "Bovespa vai até a fábrica", programa que pretende atingir 140 sindicatos, localizados na Capital, Grande São Paulo e Região Metropolitana de Campinas, usando um escritório móvel (veja mais informações no link abaixo).Outra iniciativa que vem aumentando a participação de pessoas físicas no mercado de ações é a possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de ações. O governo já vendeu parte das ações da Petrobrás e da Companhia vale do Rio Doce. Na operação, muitos trabalhadores usaram recursos dos fundos para a compra desses papéis. Agora, essa iniciativa vai atingir também ações ordinárias (ON, com direito a voto) do Banco do Brasil. A operação ainda não tem data marcada para acontecer, mas algumas regras já foram anunciadas Veja mais informações sobre essa operação no link abaixo, bem como sobre a iniciativa da Bolsa para a popularização do mercado de ações.Investimento estrangeiroNa outra ponta, está caindo o interesse dos investidores estrangeiros. O saldo, no acumulado do ano, até o dia 10 de setembro, está negativo em R$ 1,525 bilhão. Para Neves, o ciclo de forte interesse dos investidores estrangeiros terminou. "O fluxo vindo de fora vai continuar, mas a euforia inicial acabou. O investidor estrangeiro deixará a figura de estocador de ações para ficar apenas com a função de garantidor. O que se espera agora é que o mercado de ações amadureça com recursos internos, principalmente de pessoas físicas", afirma o diretor da Planner.Consolidação depende de queda dos jurosJúlio Ziegelmann, da BankBoston Asset Management (BAM), avalia que todas essas iniciativas, tanto da Bovespa, com a popularização do mercado, como do governo, permitindo o uso do FGTS para a compra de ações, são importantes para o aumento do volume de negócios de pessoas físicas na Bolsa. Contudo, ele destaca que uma melhora mais significativa no volume total negociado na Bovespa depende de uma redução das taxas de juros. "Com a possibilidade de conseguir um ganho atraente em renda fixa, sem o risco do mercado de ações, o brasileiro acaba alocando poucos recursos em fundos de ações. As iniciativas da Bovespa são importantes, mas a consolidação do interesse de pessoas físicas pela Bolsa depende de uma redução das taxas de juros", afirma Ziegelmann. Veja no link abaixo mais informações sobre como os juros afetam as Bolsas.Veja números sobre participação de pessoa físicaAnoParticipação (%)19949,0199510,119969,319979,8199811,7199915,3200019,2200120,52002*27,4* até agostoVeja também nos links abaixo mais informações sobre clubes de investimento e home broker, assuntos que ganharam evidência com o aumento do interesse de pessoas físicas pelo mercado de ações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.