Cresce no Brasil o plantio de soja não transgênica

O plantio de soja convencional (não transgênica) cresce no Brasil. É que tradings estão pagando mais por ela, incentivadas pela demanda europeia

Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 05h00

O plantio de soja convencional (não transgênica) cresce no Brasil. É que tradings estão pagando mais por ela, incentivadas pela demanda europeia. O Instituto Soja Livre, que reúne exportadores e produtores de sementes, estima que na safra 2018/19 a semeadura alcance 18% da área com a oleaginosa em Mato Grosso, principal produtor. No ciclo anterior, a lavoura convencional no Estado ficou em 15% do total, ou 1,4 milhão de hectares. Ricardo Franconere, gerente de Marketing da GDM Seeds, diz que há três anos a área era bem menor, o que levou tradings a pagarem mais para que agricultores voltassem a plantar variedades sem transgenia. Em 2017, o valor extra oferecido pelo grão convencional, além da cotação na Bolsa de Chicago, superou os R$ 10/saca, estima. Há cinco anos, era de cerca de R$ 2/saca.

 Certificada. Franconere diz ainda que os preços em alta da soja devem incentivar produtores a comprar mais sementes certificadas na safra 2018/2019, que começa em julho. A empresa de origem argentina é a segunda maior no segmento de soja no Brasil, atrás da Monsanto. Agricultores costumam usar sementes salvas da última safra, mas em algumas regiões chuvas durante a colheita comprometeram a qualidade. “O produtor está cada vez mais consciente de que a compra de produto certificado sustenta o investimento com variedades mais produtivas”, diz o executivo. 

Paradas. Fontes do setor acreditam que mais frigoríficos de aves, além da BRF, devem anunciar férias coletivas neste mês em razão do acúmulo de estoques após os embargos à exportação. BRF e Aurora já divulgaram paralisações nos últimos dias.

Adiada. A missão da China que visitaria frigoríficos brasileiros no início do ano virá em junho, diz uma fonte que participa das negociações. Autoridades do país asiático devem vistoriar pelo menos 22 unidades de carnes bovina e de frango, para poder habilitá-las à exportação. A viagem devia ter acontecido em fevereiro, mas foi adiada por causa de mudanças nos ministérios chineses. 

Surpresa 1. Mesmo tímido, o aumento das vendas internas de colheitadeiras em março, de 2,2%, chama a atenção de Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para a área de máquinas agrícolas. “Não é comum a saída de colheitadeiras nesta época do ano, quando a maior demanda costuma ser por tratores para o plantio da safra seguinte”, diz ele à coluna. Para o executivo, a explicação está no fato de que produtores estão bem capitalizados e movimentam, como há muito não se via, as feiras agrícolas.

Surpresa 2. Miguel Neto destaca também a importância dos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) para o salto de 46,8% das vendas de máquinas agrícolas em março ante fevereiro. No primeiro trimestre, o Banco do Brasil liberou R$ 470 milhões do FCO para a finalidade, 90% mais ante igual período de 2017. O executivo aponta as taxas de juros, em torno de 8,5% ao ano, como um dos atrativos. Os juros do Moderfrota, principal programa de crédito para máquinas, podem chegar a 10,5%. “Além disso, o BB desburocratizou o acesso ao FCO, o que incentivou a procura.” O fundo é alimentado por dinheiro de arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), assim como pelo retorno dos financiamentos concedidos pelo próprio FCO.

Fértil. Apesar de as terras no Brasil terem se valorizado nos últimos dez anos, a maioria das empresas de capital aberto dedicadas a investir no ativo possui valor de mercado (relacionado ao valor da ação) abaixo do que realmente vale, aponta a Bain & Company em estudo inédito. Uma das razões é que fundos de pensão e soberanos, além de famílias com alto patrimônio conhecidas por fazer aportes em terras, evitam comprar ações de companhias agrícolas listadas em bolsa porque dão prioridade à geração de valor no longo prazo, não à liquidez do mercado acionário. Outro motivo é a instabilidade dos ganhos entre um trimestre e outro, por causa de riscos climáticos e oscilações dos preços de commodities agrícolas que afetam os resultados.

Tudo bem, por enquanto. A recente alta no preço do milho ainda não preocupa indústrias que utilizam o grão na produção de etanol. Ricardo Tomczyk, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), afirma que “assim como o milho subiu, o etanol também e as margens estão bem preservadas”. Outro fator que tranquiliza o setor é que contratos de longo prazo e estoques do cereal protegem as usinas de oscilações do mercado. 

Veto. Usinas paulistas reclamam que não conseguem autorização da concessionária Via Rondon para o trânsito de caminhões de cana no trecho de 331 quilômetros administrados por ela, entre Bauru e Castilho (SP), além de vicinais. Segundo produtores, a Via Rondon alega que veículos trafegam a menos da metade da velocidade máxima, de 80 km/h, o que não seria permitido. Um pedido de explicação foi protocolado na concessionária. Procurada, ela não se manifestou. 

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