Cresce número de paulistanos endividados em janeiro

Índice de endividamento sobe para 53%, cinco pontos acima do registrado em dezembro de 2007

Ana Luísa Westphalen, da Agência Estado,

21 de janeiro de 2008 | 12h10

O paulistano iniciou 2008 com mais dívidas. É o que apurou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio). O índice de endividamento subiu para 53%, representando um aumento de cinco pontos porcentuais na comparação com dezembro do ano passado. Já em relação ao registrado em janeiro de 2007 (58%), houve queda de cinco pontos porcentuais. Quanto ao nível de inadimplência (consumidores com contas em atraso), foi apurada baixa de cinco pontos porcentuais em janeiro na comparação com o mês anterior, para 33%. A PEIC é apurada mensalmente pela Fecomercio junto a cerca de 1.360 consumidores no município de São Paulo. Para a instituição, a elevação no nível de endividamento em janeiro é reflexo das compras de dezembro, da facilidade de crédito e dos pagamentos de começo de ano, como Imposto sobre a Propriedade de Veículos (IPVA), material escolar e matrículas. De acordo com a pesquisa, há mais paulistanos (57%) com dívidas na faixa de rendimentos até três salários mínimos (ou R$ 1.140,00). Entre os consumidores que ganham de três a dez salários (até R$ 3.800,00), a porcentagem de endividados é de 56%, enquanto que para os que ganham acima de dez salários mínimos, o índice é de 48%. A PEIC também mostra que 42% das pessoas com renda até três salários mínimos estão inadimplentes, contra 32% dos que ganham de três a dez salários mínimos, e 25% entre os que possuem renda acima R$ 3.800,00. Na análise do comprometimento da renda para o pagamento de dívidas, em janeiro o índice apresentou alta de três pontos porcentuais, ficando em 32%. A pesquisa mostra ainda que 74% dos consumidores pesquisados declararam a intenção de pagar total ou parcialmente suas dívidas em atraso, contra 76% apurados em dezembro. Na divisão por renda, observa-se que a intenção de pagamento é maior entre consumidores com rendimentos superiores a dez salários mínimos (88%), seguido por aqueles que ganham de três a dez salários (78%) e pelos que recebem até três salários mínimos (60%). Tempo Com relação ao prazo médio de comprometimento da renda, a maior incidência é no período de três meses a um ano (47%). O restante divide-se entre os períodos de até três meses (22%) e mais de três anos (30%). Quando analisado o tempo de atraso das dívidas, constatou-se que para 34% dos consumidores o prazo é de até 30 dias, enquanto que para 33% o período é de 30 a 60 dias. Já para 12% o atraso é de 60 a 90 dias e para os outros 19%, o tempo de atraso das dívidas são superiores a 90 dias.  Razões Quanto aos motivos para a inadimplência, a falta de controle financeiro foi apontado por 33% dos consumidores, seguido pelo desemprego (22%). O cartão de crédito continua sendo o grande vilão das dívidas, segundo 47% dos consumidores, seguido pelos carnês (23%). Quando perguntado sobre qual tipo de despesa mais afetou suas dívidas atuais, 15% apontaram os gastos com vestuários, seguidos por alimentação (13%) e eletrodomésticos (12%). No comparativo entre homens e mulheres, ambos encontram-se igualmente endividados e inadimplentes (53% e 33% respectivamente). Na análise segmentada por faixa etária, os consumidores com idade superior a 35 anos apresentam-se mais endividados (55%), em comparação aos abaixo desta faixa etária (52%). Já a inadimplência é maior entre os consumidores mais jovens (35%), contra 31% entre os consumidores acima de 35 anos.

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