Cresce o interesse pela mineração no fundo do mar

Número de pedidos de exploração marítima se multiplica, mas empresas esbarram nos altos custos da atividade

Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

O Brasil vem despertando também para as riquezas minerais escondidas no fundo do mar. Entre 2009 e 2010, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) recebeu 637 pedidos de empresas para pesquisar ao longo da plataforma continental brasileira. Um salto em relação ao período 2007/2008, quando os requerimentos somaram apenas 56.

Duas empresas já ultrapassaram a fase de estudos e conseguiram autorização do Ministério das Minas e Energia para lavrar minério na plataforma continental jurídica brasileira, uma área de 4,5 milhões de km², conhecida como Amazônia Azul pela biodiversidade. A primeira autorização foi dada à empresa Fertimar, que explora carbonato de cálcio na costa do Espírito Santo. A empresa começou sua investida pesquisando fosfato, de olho no mercado de fertilizantes.

A outra autorização tem cerca de um mês e foi recebida pela Dragamar Tecnologia, que vai extrair calcário marinho do litoral do Maranhão, região que tem as maiores reservas do insumo no País. Para Miguel Nery, diretor do DNPM, a corrida por minerais em mar é uma tendência que esbarra no fator custo.

Uma das empresas que sentiram esse problema foi a Itafoz, que solicitou 1,2 mil requerimentos de pesquisa entre 2008 e 2009. "O nosso interesse era explorar potássio no pré-sal", disse o presidente da empresa, Antenor Silva. Segundo ele, a Itafoz analisou oportunidades no litoral entre Sergipe e São Paulo. No entanto, os investimentos precisariam ser muito alto para viabilizar a extração onde foram encontrados indícios do produto.

"Queríamos jazidas que estivessem entre mil e 1,5 mil metros de profundidade. O que achamos estava a 2,5 mil", disse. Por conta disso, a empresa decidiu desistir de quase todos os requerimentos feitos. "Ficamos apenas com três áreas - em Sergipe, Bahia e São Paulo -, porque elas são muito boas."

Custo. Segundo ele, o problema de ter muitas áreas requeridas é o custo elevado de manutenção, pois é preciso pagar a Taxa Anual por Hectare (TAH) ao governo. Apesar disso, o executivo enfatizou que a Itafoz não desistiu de buscar oportunidades. "Acho que o interesse por pesquisa e extração no mar vai crescer. Isso não acontece só no Brasil, é tendência no mundo inteiro."

Ele citou como exemplo a Austrália, que tem empresas extraindo minerais do mar, e a Namíbia, que já extrai há anos diamantes do fundo do oceano. A Europa, observou, também tem uma grande produção de calcário vinda do mar.

No Brasil, o interesse por minerais usados na fabricação de fertilizantes também vem direcionando a entrada do País nessa corrida pelas riquezas minerais. O chefe da divisão de Geologia Marinha do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Kaiser Gonçalves de Souza, conta que o setor responde por 80% dos mais de mil pedidos feitos em 2010 para pesquisa em áreas na plataforma continental brasileira.

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