Cresce o número de famílias endividadas

Segundo pesquisa da CNC, a parcela de famílias endividadas subiu de 57,7% para 59,1%, mas os entrevistados ainda planejam consumir mais

Alessandra Saraiva / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

O número de famílias endividadas no País aumentou de julho para agosto, mostrou ontem a pesquisa "Endividamento e Inadimplência do Consumidor", da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O levantamento abrange todas as capitais e o Distrito Federal, e foram ouvidos 17,8 mil consumidores. A parcela de endividados entre os pesquisados subiu de 57,7% para 59,1%.

"O consumidor parece mais predisposto a continuar a se endividar, por causa do bom cenário de emprego e renda", explicou o economista-chefe da CNC e ex-diretor do Banco Central (BC) Carlos Thadeu de Freitas. Ele comentou que, este mês, as condições favoráveis da economia inflaram a confiança dos consumidores.

Mesmo a antecipação de compras em 2009 e janeiro de 2010, quando incentivos fiscais estimularam a compra de eletrodomésticos e automóveis, não impediu que as famílias voltassem a se endividar nos meses seguintes. "Os prazos de financiamento estão cada vez mais longos. A renda melhora e a oferta de crédito continua boa, principalmente o consignado", avaliou Freitas.

Inadimplência. Apesar do porcentual maior de consumidores com dívidas, a inadimplência não mostrou avanço. Entre os pesquisados endividados, a porcentagem dos que informaram não ter condições para quitar seus débitos recuou de 8,9% para 8,8% de julho para agosto.

Outra pesquisa da CNC, elaborada com base em 18 mil questionários analisados mensalmente, confirma o renovado apetite do consumidor por compras. O levantamento "Intenção de Consumo das Famílias" mostrou que o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), numa escala de zero a 200 pontos, subiu de 133,6 pontos para 134,4 pontos, uma alta de 0,7%.

"Foi a quarta elevação consecutiva deste indicador", afirmou Freitas.

A pesquisa mostrou que praticamente a metade dos entrevistados para a análise (49,7%) sentiu maior segurança em seus empregos em agosto. "Quando o consumidor se sente mais seguro no emprego, ele se torna mais confiante para consumir, e para se endividar também", avaliou.

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17,8 mil é o total de consumidores ouvidos pela pesquisa da Confederação Nacional do Comércio

59,1% é a parcela de endividados, de acordo com a pesquisa

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