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Cresce o otimismo do consumidor

Índice de Confiança do Consumidor da Fecomércio-SP atingiu neste mês a maior marca desde maio de 2006

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

Se depender da confiança do consumidor, o comércio tem tudo para ampliar o faturamento neste Natal. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) atingiu neste mês 136,7 pontos, a maior marca desde maio de 2006 (138,7 pontos), segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Houve acréscimo em relação a outubro deste ano e a novembro de 2006, de 2% e 1,6%, respectivamente.O assessor econômico da entidade, Altamiro Carvalho, destaca que o indicador está sendo puxado pela índice das expectativas atuais, uma vez que o indicador de expectativas futuras continua baixo.Segundo ele, esse movimento ocorre porque o cenário presente é tão favorável, com fartura de crédito, juros menores, recuperação de renda e inflação controlada, que até provoca certa desconfiança no consumidor quanto à sustentabilidade desse quadro no futuro. "Esse comportamento é normal", diz Carvalho.O diretor das Casas Bahia, Michael Klein, que apresentou ontem a quinta edição da Super Casas Bahia, a megaloja que começa a funcionar hoje no Parque de Exposições do Anhembi, em São Paulo, também está otimista. "Este Natal será recorde", prevê. A meta inicial é vender na megaloja deste ano R$ 80 milhões. "Mas podemos atingir R$ 100 milhões", calcula. Na superloja do ano passado, o faturamento foi de R$ 94 milhões, mas com cinco dias úteis a mais que este ano.Uma das ferramentas para ampliar as vendas da companhia neste ano será o crédito consignado, aquele com desconto da parcela em folha de pagamento e com risco praticamente nulo de inadimplência. A partir de 1º de dezembro, as 552 lojas da rede, inclusive a Super Casas Bahia, começam a financiar móveis e eletrodomésticos por meio da linha de crédito consignado do banco BMC, que é do Bradesco."É uma modalidade adicional de crédito, com prazos mais longos", afirma Klein. Segundo ele, a adesão ao crédito consignado, que inicialmente será destinado a aposentados e pensionistas da Previdência Social, não tem relação com o aumento da inadimplência. Ele observa que o índice de atraso do crediário da rede varia entre 10% e 11% das vendas a prazo e permanece estável.Ele destaca que o crédito consignado vai permitir alongar os prazos de pagamento para 36 e 48 meses, com juros menores, o que reduz o valor da prestação e amplia o número de consumidores. Hoje o carnê da empresa permite o parcelamento em, no máximo, 20 vezes e os cartões de crédito próprio e de outras bandeiras em dez vezes. Além do consignado, a rede vai aceitar o pagamento por meio do Crédito Direto ao Consumidor da bandeira Visa Electron pré-aprovado.A investida no cartão de crédito - tanto próprio, que atinge 3,8 milhões de plásticos, como de terceiros - mudou o perfil da rede varejista, que era tida como a rainha do carnê. Os cartões de crédito já representam neste ano 50% das vendas da rede e o crediário responde por 40%. Em 2006, a fatia do cartão era de 40%. Também a clientela está sofrendo transformações: as classes A e B respondem hoje por 25% do público da companhia, cuja origem é popular. Na Super Casas Bahia, a fatia dos consumidores mais ricos é ainda maior e chegou no ano passado a 57% das 1,9 milhão de pessoas que circularam pela megaloja. Klein não esconde o interesse pelas camadas mais endinheiradas. "Queremos ter produtos para essa camada da população e melhorar a qualidade."Na Super Casas Bahia que vai até 31 de dezembro, por exemplo, os extremos das classes sociais estão contemplados. A loja terá a maior TV de plasma do mundo, da Panasonic, de 103 polegadas, que custa R$ 269 mil. No mesmo local, a Living, que é o braço para construir imóveis populares da Cyrela, vai ofertar apartamentos de R$ 55 mil, com parcela mínima mensal de R$ 198. Ou seja, com os recursos para a compra desse eletroeletrônico é possível levar quase cinco apartamentos.Apostando nesse público amplo, a companhia ampliou de 150 para 209 o número de fornecedores e incrementou os shows e o lazer. A intenção é que o cliente fique mais tempo na megaloja e gaste mais.

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