Cresce o risco de déficit na balança comercial em 2013

A balança comercial brasileira apresentou, até a segunda semana de julho, um déficit de US$ 421 milhões, no mês, e de US$ 3,5 bilhões, nos primeiros seis meses e meio de 2013. Por isso, um saldo quase nulo ou negativo na balança comercial, neste ano, não é mais mero exercício de especulação, como poderia parecer até meados do segundo trimestre, e pode transformar-se em realidade.

O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2013 | 02h07

Por ora, poucos analistas econômicos admitem esse risco. Na Pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central junto aos principais analistas e departamentos econômicos do País, ainda se prevê um superávit comercial de US$ 6,2 bilhões no ano. Mas esse valor vem caindo ao longo do ano. Na última sexta-feira, era estimado em cerca de 40% da expectativa de 28 de dezembro do ano passado, quando se previa um superávit de US$ 15,2 bilhões no ano.

Entre os motivos para prever uma recuperação dos saldos comerciais nos próximos meses está a desvalorização do real ante o dólar: só nos últimos 30 dias, até segunda-feira, ela atingiu 5,5%. Mas o estímulo às exportações depende de o mercado externo se mostrar favorável. A retomada do crescimento nos Estados Unidos, por exemplo, é um fator positivo.

A balança comercial parece depender mais do desaquecimento da atividade doméstica. Até agora, isso não foi determinante para derrubar as importações, cuja média diária aumentou 0,4%, entre junho e julho, e 14,7%, em relação a julho do ano passado, enquanto as exportações, nas mesmas bases de comparação, caíram 14,5% e 5,4%, respectivamente. O feriado de 9 de Julho e as manifestações populares, que afetaram o acesso aos portos, foram os fatores apontados pelo Ministério do Desenvolvimento (Mdic) para justificar a fragilidade das exportações. Mas, evidentemente, não justificam o déficit comercial do ano, que é também, até agora, o pior resultado em mais de uma década.

Começa a faltar tempo para a reação da balança comercial, que seria mais fácil se a indústria ampliasse investimentos e ofertasse mais produtos no mercado interno, a preços competitivos com os importados de países que oferecem estímulos diretos e indiretos aos exportadores, cobrando menos tributos do que o Brasil dos produtores locais.

Sem dispor de bons instrumentos para estimular as exportações, resta ao governo aceitar que o câmbio estimule as vendas externas, ainda que tolha o combate à inflação.

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